`Podemos até apoiar o PT no Rio Grande do Sul, como podemos apoiar o Beto ou o Fogaça. Não existe definição` – diz Frasson, presidente estadual do PC do B, segundo reproduz a coluna da jornalista Rosane Oliveira no Zero Hora de hoje. O PC do B teria que se explicar melhor. Como já estou há um tempo nesta vida de luta política, conheci muitos militantes e dirigentes combativos e inteligentes deste partido. Desde os tempos do julinho, já se vão 27 anos. Agora, por exemplo, militantes do PC do B estavam entre os operarios da Randon que foram reprimidos pela polícia em Caxias do Sul. Mas ao mesmo tempo não posso deixar de ser sincero: o PC do B é realmente incrível quando se trata de política eleitoral sem princípios. É verdade que o leque amplo de opções que colocam o PC do B em dúvida pode fazer-nos pensar que Tarso, Fogaça e Beto são políticos que representam a mesma coisa. Até aí, a lógica pode ser reforçada com o argumento de que os três apoiam o governo Lula e são de partidos oficialmente da base do governo federal. Mas é esta semelhança que deixa o PC do B em dúvida? Creio que não. Não é de hoje que a história de alianças deste partido mostra que sua escolha não está levando em conta nem programa, nem perfil de campanha, nem objetivos de construção de um espaço social maior para suas propostas, mas mera e exclusivamente cálculo acerca da melhor parceria para tentar eleger parlamentares. No caso do RS, eleger dois deputados federais e um deputado estadual. Este é o velho PC do B que já apoiou e participou do governo estadual de Mão Santa, aliado de Sarney no Piauí, e de Marconi Perillo, quando era governador de Goiás pelo PSDB. O PC do B em seu oportunismo eleitoral tem mesmo que cuidar para nao fazer o cálculo errado. Afinal, em Porto Alegre, depois de se aliarem com os amigos do neoliberal Antônio Britto e ter o senhor Berfran Rosado como vice de Manuela - Berfran que logo depois das eleições foi para o secretariado da corrupta Yeda Crusius - o PC do B nao logrou eleger nenhum vereador. O PPS entrou com os seus votos.
O PSOL, como todos sabem, entra na luta para construir seu espaço e lutar por melhorias reais na vida do povo com uma política independente e de combate: com Pedro Ruas de governador
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Segue sem conclusão investigação sobre a morte de assessor especial de Yeda Crusius ...
No dia 17 de outubro de 2009, a revista Isto É publicava a seguinte matéria:
O empresário Marcos Cavalcante disse à revista Isto É que pretende reabrir a investigação sobre a morte de seu irmão, Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora Yeda Crusius (PSDB), encontrado morto no Lago Paranoá, em fevereiro deste ano, em Brasília. “Meu irmão não se suicidou, ele foi assassinado”, diz Cavalcante. No início deste mês, o Ministério Público do Distrito Federal concedeu mais 90 dias para que a Polícia Civil investigue o caso.
Pois todo este tempo passou e hoje faz exatamente um ano da morte do assessor especial de Yeda Crusius em Brasília, peça chave para revelar os esquemas de corrupção no governo tucano gaúcho. Muitos devem estar lembrados que foi em função desta morte que eu, Luciana Genro e Pedro Ruas apresentamos nossas denúncias contra o governo. Afinal, uma testemunha chave que sabíamos estava com o acordo da delação premiada em curso morreu em condições misteriosas.
Pois um ano passou e ainda não há uma conclusão sobre a causa da morte. Vale lembrar que Arruda comandava a Polícia Civil do Distrito Federal que, depois de um ano de investigações ainda não conseguiu finalizar o inquérito sobre a morte de Marcelo Cavalcante. Ainda na semana passada a delegada encarregada do caso afirmou que estava inclinada a aceitar a hipótese de suicídio, no que foi contestada pelo pai, os irmãos e a mulher da vítima. E sobretudo pelo Ministério Público Federal que não considera os elementos suficientes para esta afirmação. Nós não esqueceremos esta morte. E seguiremos acompanhando o caso, exigindo o total e cabal esclarecimento sobre o desaparecimento deste que era um arquivo dos esquemas do governo Yeda.
O empresário Marcos Cavalcante disse à revista Isto É que pretende reabrir a investigação sobre a morte de seu irmão, Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora Yeda Crusius (PSDB), encontrado morto no Lago Paranoá, em fevereiro deste ano, em Brasília. “Meu irmão não se suicidou, ele foi assassinado”, diz Cavalcante. No início deste mês, o Ministério Público do Distrito Federal concedeu mais 90 dias para que a Polícia Civil investigue o caso.
Pois todo este tempo passou e hoje faz exatamente um ano da morte do assessor especial de Yeda Crusius em Brasília, peça chave para revelar os esquemas de corrupção no governo tucano gaúcho. Muitos devem estar lembrados que foi em função desta morte que eu, Luciana Genro e Pedro Ruas apresentamos nossas denúncias contra o governo. Afinal, uma testemunha chave que sabíamos estava com o acordo da delação premiada em curso morreu em condições misteriosas.
Pois um ano passou e ainda não há uma conclusão sobre a causa da morte. Vale lembrar que Arruda comandava a Polícia Civil do Distrito Federal que, depois de um ano de investigações ainda não conseguiu finalizar o inquérito sobre a morte de Marcelo Cavalcante. Ainda na semana passada a delegada encarregada do caso afirmou que estava inclinada a aceitar a hipótese de suicídio, no que foi contestada pelo pai, os irmãos e a mulher da vítima. E sobretudo pelo Ministério Público Federal que não considera os elementos suficientes para esta afirmação. Nós não esqueceremos esta morte. E seguiremos acompanhando o caso, exigindo o total e cabal esclarecimento sobre o desaparecimento deste que era um arquivo dos esquemas do governo Yeda.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Atenas, Lisboa, Madri...
Niall Ferguson em artigo para o "Financial Times" e reproduzido pela Folha de SP de domingo, 14 de fevereiro, afirma que a crise da dívida soberana que está atingindo os países do sul da zona do Euro, com destaque para a Grécia, não ficará restrita aos mesmos. Irá atravessar o Atlântico, cedo ou tarde. Tudo está relacionado com o imenso déficit fiscal dos países capitalistas, produto do socorro necessário para provocar demanda no sistema. O modelo keynesiano não é grátis. Em algum momento a dívida é cobrada. "Para os EUA, o maior devedor do mundo, o dia do pagamento parece reconfortantemente distante", diz no artigo. Mas a segurança dos títulos norteamericanos é tão grande quanto Pearl Harbor era em 1941, afirma o autor. Com uma dívida que se aproxima de US$ 15 trilhões, isso implica em US$ 300 bilhóes de custos de juros a mais por ano e o montante que tudo isso precisa ser pago irá chegar. Vale a pena ler o artigo. Aliás, o quadro indica que na Grécia, país em que ocorreram mobilizaçoes revolucionárias importantes nos últimos meses, certamente vai conhecer novas lutas de massas contra a tentativa de fazer com que os trabalhadores paguem pela crise. A atual greve nacional do funcionalismo público é apenas uma pequena mostra do que virá.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Reflexões de Martiniano Cavalcante
Reproduzo um texto de Martiniano, pré-candidato a presidente pelo PSOL. Concordo em gênero, número e grau com sua análise.
REFLEXÕES SOBRE O PRIMEIRO DEBATE
Segunda-feira, dia 08 de fevereiro, um calor escaldante em semana de folia no Rio de Janeiro. Mesmo assim, a sede de política fez transbordar o auditório do Sindsprev, lotado e fervilhante em uma vitalidade empolgante. Aquela noite me deixou a sensação de ter vivido um momento histórico para o PSOL.
A apresentação das propostas políticas e programáticas para a campanha presidencial representadas por mim, por Plínio e por Babá, mostrou que a discussão recém iniciada se dá em torno de concepções contrapostas numa frontal oposição entre dois campos.
Não repetirei aqui a análise que desenvolvi em minha Carta ao Partido. Reafirmarei apenas que estamos diante de uma grande ameaça representada pelos que propõem um perfil de campanha acentuadamente propagandista e doutrinária. Caso esta linha prevaleça, acentuará os prejuízos eleitorais provocados pela ausência da companheira Heloísa Helena na campanha presidencial e pelo fato de não termos outra candidatura, com peso eleitoral, para substituí-la.
O isolamento político voluntário da campanha será desastroso para o nosso desempenho nas eleições parlamentares, colocando em maior risco ainda nossos poucos mandatos.
A dramaticidade que envolve nossas disputas pelos rumos do PSOL pode se revelar através de alguns temas ilustrativos que apareceram com muita força no debate de Rio de Janeiro.
A idéia de uma campanha que busque deliberadamente “chocar” a opinião pública, contrasta com o esforço de Plínio para se mostrar simpático e cordato. E que combina formas radicalizadas com conteúdos conservadores resultando numa verdadeira incongruência política. Apesar de, no debate, ter procurado evitar a confrontação mais profunda de concepções, ao externar sua compreensão sobre a reforma agrária permitiu-nos enxergar de maneira cristalina sua “criativa“ lógica de campanha eleitoral. Plínio citando com orgulho um depoimento ao Senado Federal, disse que o erro do MST não foi derrubar 7 mil pés de laranja durante a ocupação da fazenda da Cutrale em São Paulo. O erro foi não ter derrubado 70 mil pés de laranja. Convenhamos que é de fato uma abordagem de choque para quem defendeu uma concepção ultrapassada de Reforma Agrária como distribuição de minifúndios condenados a improdutividade e ao estrangulamento econômico.
Fiquei imaginando o resultado de uma exposição como esta feita pelo candidato do PSOL, num debate da TV Globo entre presidenciáveis e, sinceramente, não consegui dimensionar o tamanho do desastre.
Nessa mesma linha de raciocínio, nosso companheiro assumiu uma postura ecológica de extrema radicalidade ao tratar do Pré-Sal, insinuando que seria melhor não explorá-lo por conta dos efeitos negativos sobre o meio ambiente.
Não há como negar que essa abordagem pouco convencional é realmente chocante, mas, em minha opinião, resultará exatamente no efeito contrário ao desejado pelo companheiro Plínio. Acredito que os setores de massa que demonstraram simpatia pela Campanha Presidencial de Heloisa em 2006, pelo PSOL e por nossos parlamentares tenderão a se afastar de nós, tomando-nos por incoerentes e infantilmente radicais.
O Babá, que tanto lutou para ser pré-candidato comportou-se no debate como se fosse um auxiliar do Plínio. Não lhe dirigiu uma única crítica enquanto me atacava de maneira feroz e renitente. Insistiu na repetição incansável de uma interpretação absolutamente equivocada sobre a política do PSOL para Marina Silva. Afirmou, inúmeras vezes, que a base partidária derrotou a política traidora da direção que, segundo ele, queria apoiar a qualquer custo a candidatura de Marina Silva. O Plínio em nota sobre o debate em seu site me faz acusação semelhante.
Na verdade distorcem os fatos porque, nem a base derrotou a direção e nem a direção buscou aliança a qualquer custo com Marina. O Diretório Nacional aprovou, em dezembro de 2009, por aproximadamente 2/3 de seus membros, a continuidade das negociações e ao mesmo tempo as condições e exigências que deveriam orientá-las. Em janeiro de 2010 a Executiva Nacional, por unanimidade, aprovou a proposta, apresentadas por nós, encerrando as negociações com o PV e com Marina.
Reafirmo a minha convicção de que a Direção do PSOL encaminhou a política correta para o assunto. Dirigentes da APS, MES, ENLACE, PODER POPULAR e independentes que foram responsáveis pela condução daquela política não foram em nenhum momento derrotados pela base. Ao contrário, conduziram o Partido, deixando-o em posição privilegiada para disputar o voto e a simpatia dos setores de massa, mais conscientes, que são atraídos pela candidatura de Marina Silva.
Volto novamente ao cenário de um debate entre presidenciáveis. Vejo em uma hipótese o candidato do PSOL atacando a direção do nosso Partido por ter cometido um grave erro ao procurar aliança com a candidata do PV, atacada por uma bateria de adjetivos. “Eco-capitalista, engolidora de sapo no governo Lula, aliançada com corruptos”, etc, etc, etc. Nesta hipótese, o mais provável é que os simpatizantes de Marina Silva repudiassem nossa conduta em vez de se aproximarem de nós.
Outra situação bem distinta envolveria um candidato do PSOL que defendeu aliança com Marina para que ela, ao lado do PSOL, assumisse uma postura de independência e de oposição à falsa polarização PT x PSDB, defendendo as principais reivindicações dos movimentos sociais, combatendo a política neo-liberal e defendendo o meio ambiente. Neste caso, nosso candidato poderia dizer que, infelizmente, Marina se negou a adotar postura que propusemos e preferiu ir para os braços do PSDB e DEM conduzida por Gabeira que com esses Partidos se aliançou para disputar o governo do Rio de Janeiro.
Não é preciso muito esforço para discernir, dentre as hipóteses anteriores, a situação mais favorável ao dialogo entre o candidato do PSOL e os setores de massas sensíveis à candidatura do PV. Mas, a lamentável e ferrenha oposição à política da maioria da direção do PSOL nasce de um dogma que também embasa a oposição a Chaves e a Evo Morales. Que repudia a aliança entre o PSOL e PSB de Capiberibe, feita no Amapá para disputar as eleições Municipais de 2008.
Eu acredito que a influencia do PSOL pode crescer, disputar e deslocar setores sociais e partidários, representantes das camadas médias e da pequena burguesia que hoje vacilam entre um dos blocos de poder do PT e do PSDB. Para mim, esta é uma tarefa fundamental que o partido revolucionário deve realizar se quiser construir uma alternativa de poder.
Plínio e Babá, em outra frente de polemicas, acusam-me de ser contra a Frente de Esquerda. Com todo respeito aos dois companheiros, creio que fazem demagogia sobre o assunto. Desconsideram, olimpicamente, que o PSTU tem candidato lançado à presidência da republica. Procurado pelo PSOL, José Maria de Almeida nos informou que seu partido reivindicaria a vice de Heloisa Helena caso ela fosse candidata. Segundo ele, sem Heloisa no páreo, poderiam pleitear a cabeça de chapa.
Plínio e Babá estariam dispostos a fazer essa concessão? Teriam eles forças e mandato para negociar a cabeça de chapa para o PSTU nas Coligações de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas gerais? Por que nossos companheiros desconsideram as dificuldades programáticas para um acordo entre PSOL e PSTU?
Não é verdade que no debate me manifestei contra a frente de esquerda. Afirmei sim, que vender ilusões a respeito do tema desarma o PSOL. Defendo que após a escolha de nosso candidato à presidência, procuremos novamente o PSTU e o PCB, cientes das dificuldades para a realização de uma aliança. Tais agremiações tem todo interesse em disputar o espaço político ocupado pelo PSOL e, na ausência de Heloísa Helena, se sentem estimulados a apresentar candidaturas próprias.
Para encerrar, quero lembrar um questionamento que fiz ao companheiro Plínio de Arruda Sampaio, com todo respeito à sua história e admirável disposição para lutar por suas convicções. Refiro-me à resposta de Plínio, em entrevista à Carta Capital, quando perguntado “se acha que o governo de Lula foi melhor que o de FHC, ou pior?. Plínio disse “Ah, de longe, muito melhor. É que o talento de Lula é maior que o de Fernando, Lula é um homem talentosíssimo. Ele é de certo modo, pegue a palavra com muito cuidado, ele é de certo modo um impostor, mas o impostor que acredita na própria impostura. Não é um demagogo, quando Lula chora, chora mesmo. Não é Jânio Quadros, que chorava lágrimas de crocodilo. Ele não, aquela explosão de choro quando o Brasil foi escolhido para a Copa... imaginem se o Fernando Henrique seria capaz de chorar. Aquilo tem um efeito popular enorme, porque é autentico, porque é verdadeiro. E o Lula é um homem mais humano, sofreu mais, conhece mais.”
Qual a necessidade desses elogios ao “Lula, o filho Brasil”? Seria tão difícil igualar a corrupção nos dois governos, os privilégios dos banqueiros, as alianças com as oligarquias tipo Sarney, Renan e Collor comuns a Lula e FHC? E o caráter de classe comum a ambos? Lamento que o companheiro Plínio não tenha respondido a esta provocação que lhe fiz. Mas, apesar das lacunas o debate foi, ao mesmo tempo, muito esclarecedor e estimulante para os próximos que virão.
Agradeço a todas as manifestações de apoio especialmente as palavras da companheira Heloisa Helena apresentando a candidatura que represento. São um estímulo indispensável para que possa cumprir essa enorme tarefa com humildade e muito orgulho.
Martiniano Cavalcante.
REFLEXÕES SOBRE O PRIMEIRO DEBATE
Segunda-feira, dia 08 de fevereiro, um calor escaldante em semana de folia no Rio de Janeiro. Mesmo assim, a sede de política fez transbordar o auditório do Sindsprev, lotado e fervilhante em uma vitalidade empolgante. Aquela noite me deixou a sensação de ter vivido um momento histórico para o PSOL.
A apresentação das propostas políticas e programáticas para a campanha presidencial representadas por mim, por Plínio e por Babá, mostrou que a discussão recém iniciada se dá em torno de concepções contrapostas numa frontal oposição entre dois campos.
Não repetirei aqui a análise que desenvolvi em minha Carta ao Partido. Reafirmarei apenas que estamos diante de uma grande ameaça representada pelos que propõem um perfil de campanha acentuadamente propagandista e doutrinária. Caso esta linha prevaleça, acentuará os prejuízos eleitorais provocados pela ausência da companheira Heloísa Helena na campanha presidencial e pelo fato de não termos outra candidatura, com peso eleitoral, para substituí-la.
O isolamento político voluntário da campanha será desastroso para o nosso desempenho nas eleições parlamentares, colocando em maior risco ainda nossos poucos mandatos.
A dramaticidade que envolve nossas disputas pelos rumos do PSOL pode se revelar através de alguns temas ilustrativos que apareceram com muita força no debate de Rio de Janeiro.
A idéia de uma campanha que busque deliberadamente “chocar” a opinião pública, contrasta com o esforço de Plínio para se mostrar simpático e cordato. E que combina formas radicalizadas com conteúdos conservadores resultando numa verdadeira incongruência política. Apesar de, no debate, ter procurado evitar a confrontação mais profunda de concepções, ao externar sua compreensão sobre a reforma agrária permitiu-nos enxergar de maneira cristalina sua “criativa“ lógica de campanha eleitoral. Plínio citando com orgulho um depoimento ao Senado Federal, disse que o erro do MST não foi derrubar 7 mil pés de laranja durante a ocupação da fazenda da Cutrale em São Paulo. O erro foi não ter derrubado 70 mil pés de laranja. Convenhamos que é de fato uma abordagem de choque para quem defendeu uma concepção ultrapassada de Reforma Agrária como distribuição de minifúndios condenados a improdutividade e ao estrangulamento econômico.
Fiquei imaginando o resultado de uma exposição como esta feita pelo candidato do PSOL, num debate da TV Globo entre presidenciáveis e, sinceramente, não consegui dimensionar o tamanho do desastre.
Nessa mesma linha de raciocínio, nosso companheiro assumiu uma postura ecológica de extrema radicalidade ao tratar do Pré-Sal, insinuando que seria melhor não explorá-lo por conta dos efeitos negativos sobre o meio ambiente.
Não há como negar que essa abordagem pouco convencional é realmente chocante, mas, em minha opinião, resultará exatamente no efeito contrário ao desejado pelo companheiro Plínio. Acredito que os setores de massa que demonstraram simpatia pela Campanha Presidencial de Heloisa em 2006, pelo PSOL e por nossos parlamentares tenderão a se afastar de nós, tomando-nos por incoerentes e infantilmente radicais.
O Babá, que tanto lutou para ser pré-candidato comportou-se no debate como se fosse um auxiliar do Plínio. Não lhe dirigiu uma única crítica enquanto me atacava de maneira feroz e renitente. Insistiu na repetição incansável de uma interpretação absolutamente equivocada sobre a política do PSOL para Marina Silva. Afirmou, inúmeras vezes, que a base partidária derrotou a política traidora da direção que, segundo ele, queria apoiar a qualquer custo a candidatura de Marina Silva. O Plínio em nota sobre o debate em seu site me faz acusação semelhante.
Na verdade distorcem os fatos porque, nem a base derrotou a direção e nem a direção buscou aliança a qualquer custo com Marina. O Diretório Nacional aprovou, em dezembro de 2009, por aproximadamente 2/3 de seus membros, a continuidade das negociações e ao mesmo tempo as condições e exigências que deveriam orientá-las. Em janeiro de 2010 a Executiva Nacional, por unanimidade, aprovou a proposta, apresentadas por nós, encerrando as negociações com o PV e com Marina.
Reafirmo a minha convicção de que a Direção do PSOL encaminhou a política correta para o assunto. Dirigentes da APS, MES, ENLACE, PODER POPULAR e independentes que foram responsáveis pela condução daquela política não foram em nenhum momento derrotados pela base. Ao contrário, conduziram o Partido, deixando-o em posição privilegiada para disputar o voto e a simpatia dos setores de massa, mais conscientes, que são atraídos pela candidatura de Marina Silva.
Volto novamente ao cenário de um debate entre presidenciáveis. Vejo em uma hipótese o candidato do PSOL atacando a direção do nosso Partido por ter cometido um grave erro ao procurar aliança com a candidata do PV, atacada por uma bateria de adjetivos. “Eco-capitalista, engolidora de sapo no governo Lula, aliançada com corruptos”, etc, etc, etc. Nesta hipótese, o mais provável é que os simpatizantes de Marina Silva repudiassem nossa conduta em vez de se aproximarem de nós.
Outra situação bem distinta envolveria um candidato do PSOL que defendeu aliança com Marina para que ela, ao lado do PSOL, assumisse uma postura de independência e de oposição à falsa polarização PT x PSDB, defendendo as principais reivindicações dos movimentos sociais, combatendo a política neo-liberal e defendendo o meio ambiente. Neste caso, nosso candidato poderia dizer que, infelizmente, Marina se negou a adotar postura que propusemos e preferiu ir para os braços do PSDB e DEM conduzida por Gabeira que com esses Partidos se aliançou para disputar o governo do Rio de Janeiro.
Não é preciso muito esforço para discernir, dentre as hipóteses anteriores, a situação mais favorável ao dialogo entre o candidato do PSOL e os setores de massas sensíveis à candidatura do PV. Mas, a lamentável e ferrenha oposição à política da maioria da direção do PSOL nasce de um dogma que também embasa a oposição a Chaves e a Evo Morales. Que repudia a aliança entre o PSOL e PSB de Capiberibe, feita no Amapá para disputar as eleições Municipais de 2008.
Eu acredito que a influencia do PSOL pode crescer, disputar e deslocar setores sociais e partidários, representantes das camadas médias e da pequena burguesia que hoje vacilam entre um dos blocos de poder do PT e do PSDB. Para mim, esta é uma tarefa fundamental que o partido revolucionário deve realizar se quiser construir uma alternativa de poder.
Plínio e Babá, em outra frente de polemicas, acusam-me de ser contra a Frente de Esquerda. Com todo respeito aos dois companheiros, creio que fazem demagogia sobre o assunto. Desconsideram, olimpicamente, que o PSTU tem candidato lançado à presidência da republica. Procurado pelo PSOL, José Maria de Almeida nos informou que seu partido reivindicaria a vice de Heloisa Helena caso ela fosse candidata. Segundo ele, sem Heloisa no páreo, poderiam pleitear a cabeça de chapa.
Plínio e Babá estariam dispostos a fazer essa concessão? Teriam eles forças e mandato para negociar a cabeça de chapa para o PSTU nas Coligações de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas gerais? Por que nossos companheiros desconsideram as dificuldades programáticas para um acordo entre PSOL e PSTU?
Não é verdade que no debate me manifestei contra a frente de esquerda. Afirmei sim, que vender ilusões a respeito do tema desarma o PSOL. Defendo que após a escolha de nosso candidato à presidência, procuremos novamente o PSTU e o PCB, cientes das dificuldades para a realização de uma aliança. Tais agremiações tem todo interesse em disputar o espaço político ocupado pelo PSOL e, na ausência de Heloísa Helena, se sentem estimulados a apresentar candidaturas próprias.
Para encerrar, quero lembrar um questionamento que fiz ao companheiro Plínio de Arruda Sampaio, com todo respeito à sua história e admirável disposição para lutar por suas convicções. Refiro-me à resposta de Plínio, em entrevista à Carta Capital, quando perguntado “se acha que o governo de Lula foi melhor que o de FHC, ou pior?. Plínio disse “Ah, de longe, muito melhor. É que o talento de Lula é maior que o de Fernando, Lula é um homem talentosíssimo. Ele é de certo modo, pegue a palavra com muito cuidado, ele é de certo modo um impostor, mas o impostor que acredita na própria impostura. Não é um demagogo, quando Lula chora, chora mesmo. Não é Jânio Quadros, que chorava lágrimas de crocodilo. Ele não, aquela explosão de choro quando o Brasil foi escolhido para a Copa... imaginem se o Fernando Henrique seria capaz de chorar. Aquilo tem um efeito popular enorme, porque é autentico, porque é verdadeiro. E o Lula é um homem mais humano, sofreu mais, conhece mais.”
Qual a necessidade desses elogios ao “Lula, o filho Brasil”? Seria tão difícil igualar a corrupção nos dois governos, os privilégios dos banqueiros, as alianças com as oligarquias tipo Sarney, Renan e Collor comuns a Lula e FHC? E o caráter de classe comum a ambos? Lamento que o companheiro Plínio não tenha respondido a esta provocação que lhe fiz. Mas, apesar das lacunas o debate foi, ao mesmo tempo, muito esclarecedor e estimulante para os próximos que virão.
Agradeço a todas as manifestações de apoio especialmente as palavras da companheira Heloisa Helena apresentando a candidatura que represento. São um estímulo indispensável para que possa cumprir essa enorme tarefa com humildade e muito orgulho.
Martiniano Cavalcante.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Poder oficial dos golpistas reacionários
O general Maynard de Santa Rosa foi exonerado após chamar publicamente de "comissão de calúnia", a comissão da verdade recentemente definida no Plano Nacional de Direitos Humanos. Já tinha sido evidente as pressões golpistas de direita no interior do governo Lula quando o ministro Nelson Jobim foi contrário a pontos importantes da proposta apresentada originalmente, entre as quais estava previsto a comissão da verdade para investigar explicitamente a repressão dos golpistas militares. Jobim, como porta voz dos interesses desta cúpula militar defensora dos interesses da ditadura de 64, venceu parcialmente a luta interna e dilui o papel da comissão. Mas sua vitória foi parcial porque a comissão foi decidida.
Pois o general agora exonerado comprovou a livre atividade dos defensores do golpe de 64 no interior do alto escalão do governo. Não estamos falando de quaisquer posições. Afinal, tal general chegou ao absurdo de dizer e escrever que os integrantes da comissão são "fanáticos que, no passado recente adotaram o terrorismo, o sequestro de inocentes e o assalto a bancos como meio de combate ao regime...". Os membros da comissão foram escolhidos pela ministra Dilma. Mesmo assim, o sujeito estava até ontem entre os quinze membros do Alto Comando do Exército. É incrível que em 8 anos de mandato o presidente Lula nao tenha realmente se esforçado para isolar nas Forças Armadas os setores mais reacionários vinculados aos golpes.
Na Argentina, onde a ditadura foi derrotada por mobilizações revolucionárias, o Exército nao tem força social para tutelar a sociedade. No Brasil, apesar de passados mais de 20 anos do fim do regime militar, uma cúpula reacionária ainda provoca crises e tem peso real no próprio governo Lula. A exoneração, diante da carta do general, era uma medida evidente. Se o governo não fizesse isso estaria totalmente desmoralizado. Mas que este general tenha estado em postos tão importantes até agora é o que realmente deveria chamar a atenção. Sabe-se, aliás, que sua exoneração apenas lhe afasta de função, já que o mesmo assumirá o novo posto de adido do comandante do Exército, General Enri Peri. Assim, em março passa para a reserva, por tempo de serviço e nao perde nada de seus privilégios e regalias.
De fato a luta pela democratização segue como uma das bandeiras centrais no Brasil. Luta esta que encontra no governo Lula um governo que alberga e mantém privilégios e poderes dos defensores da reação e do golpe.
Pois o general agora exonerado comprovou a livre atividade dos defensores do golpe de 64 no interior do alto escalão do governo. Não estamos falando de quaisquer posições. Afinal, tal general chegou ao absurdo de dizer e escrever que os integrantes da comissão são "fanáticos que, no passado recente adotaram o terrorismo, o sequestro de inocentes e o assalto a bancos como meio de combate ao regime...". Os membros da comissão foram escolhidos pela ministra Dilma. Mesmo assim, o sujeito estava até ontem entre os quinze membros do Alto Comando do Exército. É incrível que em 8 anos de mandato o presidente Lula nao tenha realmente se esforçado para isolar nas Forças Armadas os setores mais reacionários vinculados aos golpes.
Na Argentina, onde a ditadura foi derrotada por mobilizações revolucionárias, o Exército nao tem força social para tutelar a sociedade. No Brasil, apesar de passados mais de 20 anos do fim do regime militar, uma cúpula reacionária ainda provoca crises e tem peso real no próprio governo Lula. A exoneração, diante da carta do general, era uma medida evidente. Se o governo não fizesse isso estaria totalmente desmoralizado. Mas que este general tenha estado em postos tão importantes até agora é o que realmente deveria chamar a atenção. Sabe-se, aliás, que sua exoneração apenas lhe afasta de função, já que o mesmo assumirá o novo posto de adido do comandante do Exército, General Enri Peri. Assim, em março passa para a reserva, por tempo de serviço e nao perde nada de seus privilégios e regalias.
De fato a luta pela democratização segue como uma das bandeiras centrais no Brasil. Luta esta que encontra no governo Lula um governo que alberga e mantém privilégios e poderes dos defensores da reação e do golpe.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Max Weber
Estou escrevendo um pequeno livro que entre outras questões traz notas breves sobre Max Weber. São notas críticas, mas reconheço ao mesmo tempo sua capacidade. Antecipo uma das passagens brilhantes deste pensador alemão que realmente podemos considerar uma aula de política. Trata-se da relação entre o sentido das proporções e da vaidade. Weber argumenta que a paixão é fundamental na política mas a mesma não transforma um homem em político se não estiver a serviço de uma causa nem tampouco faz da responsabilidade o elemento ordenador da ação. Para isso Weber sustenta que é determinante a qualidade psicológica da medida, “a capacidade para deixar que a realidade atue sobre a pessoa sem por isso perder o domínio e a tranqüilidade” (Editorial Presença – Lisboa - página 115. A partir daí vem a parte mais interessante e a lição mais lúcida. Weber define que para ter sentido das proporções o político deve combater a tão comum vaidade, “inimiga de toda entrega a uma causa e de toda a medida, neste caso particular a medida de si próprio”. Depois de comentar as repercussões da vaidade em outras atividades humanas, como na ciências, concluindo que neste caso seus estragos não são graves, Weber vai ao grão. Não é nenhum exagero cita-lo longamente:
“No político, que utiliza inevitavelmente como arma o desejo do poder, os seus resultados são muito diferentes. O “instinto de poder” como se lhe costuma chamar, está assim, de fato, entre a suas qualidades normais. O pecado contra o Espírito Santo de sua profissão começa no momento em que este desejo de poder deixa de ser positivo, deixa de ser exclusivamente ao serviço da “causa” para se converter em pura embriaguez pessoal. Em última análise só existem dois pecados mortais na política: a ausência de finalidades objetivas e a falta de responsabilidades. Esta coincide frequentemente, embora não sempre, com aquela. A vaidade, a necessidade de aparecer em primeiro plano sempre que seja possível, é o que mais leva o político a cometer um destes pecados ou os dois ao mesmo tempo. E tanto mais quanto é certo que o demagogo é obrigado a ter em conta o “efeito”; por isso se encontra sempre no perigo de se converter em comediante ou de não dar a devida atenção à responsabilidade que lhe incumbe as conseqüências dos seus atos, preocupando-se apenas com a “impressão” que provoca. A sua ausência de finalidade objetiva torna-o propenso a procurar a aparência brilhante do poder em vez do poder real” (idem, página 117)
São sábias palavras. Acredito que Weber está completamente certo ao afirmar a vaidade como principal defeito de um político que queira realmente servir a uma causa coletiva. E acrescentaria que é a principal base psicológica para o oportunismo político que busca sempre o resultado no presente, imediato, mesmo que para tanto tenha que abdicar do futuro.
“No político, que utiliza inevitavelmente como arma o desejo do poder, os seus resultados são muito diferentes. O “instinto de poder” como se lhe costuma chamar, está assim, de fato, entre a suas qualidades normais. O pecado contra o Espírito Santo de sua profissão começa no momento em que este desejo de poder deixa de ser positivo, deixa de ser exclusivamente ao serviço da “causa” para se converter em pura embriaguez pessoal. Em última análise só existem dois pecados mortais na política: a ausência de finalidades objetivas e a falta de responsabilidades. Esta coincide frequentemente, embora não sempre, com aquela. A vaidade, a necessidade de aparecer em primeiro plano sempre que seja possível, é o que mais leva o político a cometer um destes pecados ou os dois ao mesmo tempo. E tanto mais quanto é certo que o demagogo é obrigado a ter em conta o “efeito”; por isso se encontra sempre no perigo de se converter em comediante ou de não dar a devida atenção à responsabilidade que lhe incumbe as conseqüências dos seus atos, preocupando-se apenas com a “impressão” que provoca. A sua ausência de finalidade objetiva torna-o propenso a procurar a aparência brilhante do poder em vez do poder real” (idem, página 117)
São sábias palavras. Acredito que Weber está completamente certo ao afirmar a vaidade como principal defeito de um político que queira realmente servir a uma causa coletiva. E acrescentaria que é a principal base psicológica para o oportunismo político que busca sempre o resultado no presente, imediato, mesmo que para tanto tenha que abdicar do futuro.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
O debate dos pré-candidatos do PSOL
Estive no debate dos pré-candidatos do PSOL no Rio de Janeiro. Entre as distintas análises que serão feitas deste momento de disputa dos rumos do PSOL e de escolha do seu representante para o pleito nacional, tenha certeza de que pelo menos uma questão todas terão em comum: foi impressionante, e tremendamente positivo - e para a maioria das pessoas surpreendente - a grande participação da militância.Foi uma demonstração da força do PSOL do Rio de Janeiro, expressa também no mandato do deputado Marcelo Freixo e nas recentes filiações do músico Marcelo Yuka e do ex BBB Jean Willis. O auditório do Sindicato dos Previdenciários, no belo bairro da Lapa, estava lotado. O ar condicionado não deu conta. Foram mais de 500 militantes que em plena véspera de feriado carnavalesco – e no Rio já de fato em carnaval – compareceram e escutaram atentamente os três pré-candidatos, Plínio, Babá e Martiniano pela ordem das exposições. Antes deles, o mediador Leo Lince convocou as forças de cada candidatura a destacar um integrante para apresentar e defender seu pré-candidato. Plínio foi apresentado por Milton Temer, Babá pelo sindicalista de São José dos Campos, o químico Cabral, e Martiniano por Heloísa Helena.
Heloísa usou a palavra e logo disse que não aceitou a oferta que lhe fizeram para que ela falasse na condição de presidente porque neste caso era especialmente importante que ela deixasse absolutamente claro que tem lado na disputa: a defesa do nome de Martiniano. Não queria, portanto, falar em nome de todos. Queria defender Martiniano Cavalcante. De minha parte creio que foi o ponto mais alto e mais significativo de toda a discussão. Afinal, e já começando uma análise política do que está em discussão, Heloísa Helena sabe que esta batalha interna expressa uma luta para dar continuidade e desenvolver o trabalho iniciado com a fundação do PSOL. Defender o caráter fundacional do partido foi o principal motivo de sua clara opção por Martiniano.
Vou pedir que você me acompanhe neste texto se estiver interessado nos rumos do PSOL. Afinal, é isso que está em discussão, embora este debate nem começou agora nem vai se encerrar na Conferência eleitoral nacional, independente de qual seja o seu resultado. Sobre o debate iniciado no RJ, de minha parte não tenho dúvidas de que Martiniano fez a melhor exposição. O mais contundente, o mais firme, o que se demonstrou com mais condições de representar o acúmulo programático e político do PSOL. Demonstrou ser quem melhor pode nos representar nos programas e, sobretudo, nos debates de TV, que será o momento mais alto da participação do partido no pleito nacional. Que fará uma campanha com condições de “peitar” Dilma e Serra e divulgar a legenda do PSOL.
Dito isso, acrescento o que é óbvio: todos os representantes das pré-candidaturas vão dizer que seu candidato ganhou o debate. Este roteiro também eu cumpro à risca. Afinal, todos que me conhecem sabem que estou entre aqueles que participam da vida do partido expressando e defendendo posições, não me escondendo ou dissimulando ideais. Por isso faço uma sugestão a todos e todas camaradas psolistas: assistam o vídeo, acessem no you tube (e creio que nestas horas já podem encontrá-lo também no site da camarada Luciana Genro, com que embarquei de Porto Alegre para juntos presenciarmos este primeiro debate de preparação da conferência eleitoral do PSOL). Então, assistam as exposições e tirem suas próprias conclusões.
Para sustentar a minha, me apoio não apenas no debate de ontem. Penso também que a carta aberta que Martiniano apresentou a todos e todas militantes do partido mostra que ele está melhor preparado. Trata-se de um documento político que ordena corretamente as tarefas da campanha nacional do PSOL. Peço que todos os militantes leiam com atenção este excelente documento e leiam também os documentos de lançamento dos outros dois pré-candidatos. Nestes textos mais do que em qualquer outra forma cada um terá ótimas condições de escolher o melhor caminho para o partido. De minha parte estou com Heloísa Helena.
Acreditando que todos acessaram o vídeo, não vou resumir nenhuma fala e me detenho apenas em considerações de algumas questões. Uma questão me chamou a atenção. Os dois candidatos que entraram na discussão, na polêmica, que na sua fala deixaram claro que propostas representam foi Babá e Martiniano. Babá passou o tempo todo atacando o PV e a direção do PSOL, acusando a direção do Rio de Janeiro de burocrática e responsabilizando a candidatura de Martiniano como responsável de todos os problemas do partido. Seu centro, como, já disse, foi atacar a possibilidade que havia se aberto de apoiar Marina casa ela aceitasse ser uma candidatura de enfrentamento à polarização conservadora do PT e do PSDB. Mas na fala de Babá não existiu nenhuma análise da correlação de forças, do peso do governo, da situação da economia real, das experiências dos governos latino americanos de Evo Morales e Chavez. Nenhuma palavra.
Mas o que me chamou atenção foi que Babá se dedicou a atacar a pré-candidatura de Martiniano. Parecia, sinceramente, uma candidatura encomendada para que Plínio falasse sobre o humano e o divino e não entrasse na polêmica real enquanto Babá mostrava, supostamente, as garras do combate. Digo supostamente porque a intervenção do Babá ficou nisso: ataque a Marina, como se esta questão já não estivesse resolvida. Mas quando me revelo surpreso é pelo fato de que Babá pessoalmente, dias antes do debate, havia me dito que não gostaria de polemizar com Martiniano. Me disse que respeitava muito Martiniano, que havia fundado o PSOL junto com ele e que a candidatura que ele considerava inaceitável era a candidatura de Plínio pelo fato de Plínio – com todo o respeito que merece – não representar este acúmulo da fundação. Estes eram os argumentos de Babá. Argumentos, inclusive, que segundo ele justificavam o lançamento do seu nome. Não foi isso o que ele disse no debate. Revelou-se, mais uma vez, como orgulhosamente reivindica, um homem de corrente. Neste caso a CST, que tem como centro atual de sua tática interna atacar o nome de Heloísa Helena e que tem como definição de que a direção do PSOL tem uma maioria reformista que deve ser derrotada.
Assim, com a fala de Babá, percebi que a primeira expressão pública da campanha de Babá pode ter sido o seu início e o seu final ao mesmo tempo. Se Babá sustentar sua campanha com base nos argumentos que ele dizia que o motivaram a lança-la, então seu nome sairá fortalecido independente do resultado numérico da votação. Se sua campanha seguir na linha da CST – que até agora fez de tudo para isolar o nome de Babá - tudo indica que seu nome será no final retirado da disputa e sua função pró-Plínio revelada neste primeiro debate se desdobrará na derrota política de Babá que aceitará se anular como líder público em nome de ideias marcadas pelo dogmatismo e do sectarismo. Estas nas mãos de Babá decidir esta questão.
Na sua intervenção Martiniano corretamente tentou sintetizar sua carta ao partido. Reivindicou que foi correta a tática de abrir negociações com Marina e disse que esta política foi a expressão da velha política das cartas abertas e de exigências preconizadas por Lenin. Disse que esta política é a que nos permitirá no debate de TV dizer claramente para Marina uma ideia que transcrevo livremente “ Marina, nós do PSOL queríamos nos unir com você para construir uma alternativa ao PT e ao PSDB/DEM, mas você se recusou a esta união e escolheu se aliar ao PSDB. Por isso os que querem um país melhor, que não concordam nem com Dilma e nem com Serra devem vir juntos com o PSOL, votar no 50 de Heloísa Helena” Não há dúvida de que esta abordagem nos dá força para enfrentá-la. Martiniano também defendeu a unidade com o PSTU e a Frente de esquerda. Mas não vendeu a idéia fácil de que a aliança esta resolvida. E deixou claro que nossa prioridade é a legenda do PSOL. Aliás, todos os pré-candidatos que dizem querer a aliança com o PSTU precisam começar a dizer o que estão dispostos a ceder para concretizar esta aliança. A campanha de Plínio, por exemplo, precisa dizer se vai defender que a cabeça de chapa em SP será ou não do PSTU. O que não pode é propagar algo que está longe de ocorrer, a saber, que o nome escolhido pelo PSOL é o que facilita realizar a composição ou não com o PSTU. Aliás, se fosse para dar um nome não tenho dúvida de que Martiniano, pelo seu peso interno no PSOL, teria mais condições de conduzir as negociações capazes de realizar a coligação. Mas nem isso pode garantir de antemão ter o PSTU nem o PCB ao nosso lado.
Na exposição de Martiniano, o companheiro apresentou uma crítica às declarações de Plínio na revista Carta Capital. Plínio nesta entrevista diz que o governo de Lula foi muito melhor do que o de FHC e de que Lula é um homem autêntico, que sente de verdade os problemas do povo, destacando características humanas que fortalecem a imagem de um líder de massas respeitável. Quem assistir o vídeo talvez me acompanhe na posição de que Martiniano depois de ler a citação de Plínio não desenvolveu, por falta de tempo, a conclusão fundamental, isto é, de que o candidato do PSOL não pode ser um comentarista que diz se um governo foi melhor que o outro ou se ele é amigo do Serra ou da Dilma, mas destacar o caráter nefasto do PT e do PSDB, mostrar de modo claro que precisamos de uma alternativa, de que tanto PT quanto o PSDB são projetos vinculados com os bancos, com os grandes empresários e particularmente com megaesquemas de corrupção.
Mas Martiniano foi além. Teve a ousadia de abordar temas complexos: correlação de forças entre as classes, relação da insurreição com a revolução, modelo de produção e de consumo. Infelizmente, os outros candidatos estiveram longe disso, ou os abordaram apenas superficialmente. De minha parte, embora concorde com a análise que a correlação de forças é desfavorável, tal como disse Martiniano no debate, exigindo, portanto, mais do que nunca, a política como arte para transformar a realidade, a mediação como categoria fundamental na elaboração da tática, sustento também que existem inúmeras oportunidades que estão abertas para os revolucionários. Ademais, mesmo com a correlação de forças sendo desfavorável, por conta, sobretudo, da confusão na consciência das massas, pela falta de uma alternativa política socialista e pela própria descrença na possibilidade da existência de uma alternativa, temas tocados por Martiniano, estamos num momento muito mais favorável do que outros momentos da história.
A classe trabalhadora e a humanidade, por exemplo, derrotaram o nazismo. Depois disso, foi pela ação da classe trabalhadora que inúmeras reformas sociais foram conquistadas na Europa e aqui, na nossa América Latina, foram os trabalhadores os sujeitos sociais fundamentais da derrota das ditaduras militares genocidas. Agora, também em nossa América Latina, os trabalhadores e as classes médias empobrecidas conquistaram governos nacionalistas e democráticos na Venezuela e na Bolívia, mostrando que surgiu uma corrente nacionalista revolucionária que não se via no continente desde a revolução cubana. Estes governos não existiriam sem a combinação de conquistas democráticas e levantes de massas, inclusive insurreições populares. Baixado a terra para o Brasil, a própria possibilidade do PSOL, na esteira do acúmulo de três décadas da esquerda que a própria existência do PSOL não permitiu que se perdesse de todo, mostra que a correlação de forças, embora desfavorável, nos coloca brechas para atuar e crescer, fortalecendo um polo socialista. Heloísa Helena segue sendo a personificação e símbolo deste acúmulo, não o único, mas o principal. Martiniano, aliás, é o único pré-candidato que percebe a importância desta liderança que conecta o PSOL hoje com a possibilidade de realmente disputar as massas e, portanto, de se colocar como alternativa de luta pelo poder.
Finalmente, a crise econômica capitalista mostra que, apesar da continuidade da defensiva das ideias socialistas, o capital também está deslegitimado – ou se deslegitimando -como modo de produção capaz de reproduzir a sociedade em constante progresso material. Traz cada vez mais desigualdade e destruição. A crise iniciada em 2007 apenas está dando seus primeiros passos e abriu, provavelmente, todo um período histórico novo capaz de recolocar a ofensiva socialista na ordem do dia. É óbvio que isso não se desenvolverá sem partido e sem política concreta que parta da análise concreta da situação e concreta e da relação de forças entre as classes. Martiniano teve a ousadia de entrar nestes temas. Vamos todos seguir desenvolvendo-os. No que diz respeito à política, Martiniano reafirmou a importância da luta contra a corrupção. Plínio, mais uma vez, não disse nada sobre isso. Parece desconhecer a vida do PSOL gaúcho que se fortaleceu em 2009 por ser o campeão da luta contra o governo corrupto do PSDB. Parece desconhecer a importância do PSOL do Distrito Federal, que com a direção de Enrique Morales, Toninho e Maninha, esteve na linha de frente do combate contra Arruda, o que fortaleceu o PSOL no Distrito Federal e nos abriu novas oportunidades. Martiniano mostrou não desconhecer a importância destas políticas.
Para finalizar quero comentar uma metáfora feita por Plinio acerca da correlação de forças entre as classes, aliás a única abordagem que fez sobre o assunto. Plínio bem humorado fez a metáfora da experiência com ratos que correm atrás de um queijo colocado a frente deles e que, justo na hora em que o queijo vai ser agarrado, o pesquisador tira o queijo e o rato se frustra. O rato tenta uma vez, quando vai pegar o queijo , o queijo é tirado. Na segunda, idem. Na terceira, idem. Na quarta, o queijo é posto na frente para que o rato corra para pegá-lo, mas o rato já não se mexe mais, desiste de ir atrás do queijo. Na metáfora o povo seria o ratinho, depois das frustrações que viveu ao longo dos últimos anos, a maior delas com Lula. De fato ocorreram muitas frustrações. De fato o povo esta desmobilizado. Mas acho infeliz a comparação com os ratinhos porque despreza um fenômeno fundamental: a consciência das massas populares. Muitas vezes quando os pés não estão andando muito a cabeça está tirando conclusões. Mas a desconsideração de Plínio pela consciência revelada nesta metáfora ( que se expressa também na pouco importância que Plínio atribui à luta contra a corrupção como elemento de desenvolvimento da consciência de classe) tem uma expressão mais grave: sua falta de compreensão acerca da importância do partido, em particular do PSOL
Não é uma questão de honestidade deste militante de 79 anos que milita mais do que muitos jovens de 29, sendo neste sentido um exemplo. Respeito Plínio como militante. Por isso também respeito suas ideias. Mas respeitar não quer dizer concordar, necessariamente. Plinio entende a recomposição da esquerda como um processo horizontal onde o PSOL é uma parte, mas não necessariamente a parte dirigente. Nós pensamos que o PSOL tem a vocação para ser a parte dirigente e sem o protagonismo do partido como central não há como – pelo menos neste período histórico – uma recomposição que realmente se efetive e coloque a luta pelo poder como luta central, em torno do qual o rumo do país se decide. Por isso em muitos dos seus artigos recentes escritos na Folha de SP, Plínio sequer se apresentava como militante do PSOL, se apresentando apenas como ex-deputado federal do PT. Por isso creio que no fundo Plínio não entende a importância da campanha chamando o voto na legenda do PSOL. E não é uma importância apenas eleitoral, que por si só já seria justificável. E para fortalecer a sigla do partido, para fortalecer o partido como carro chefe das lutas sociais, como condutor, como partido dirigente da classe trabalhadora e do povo pobre na defesa das suas demandas imediatas e em sua mobilização permanente até a conquista de um governo revolucionário dos trabalhadores e do povo.
Heloísa usou a palavra e logo disse que não aceitou a oferta que lhe fizeram para que ela falasse na condição de presidente porque neste caso era especialmente importante que ela deixasse absolutamente claro que tem lado na disputa: a defesa do nome de Martiniano. Não queria, portanto, falar em nome de todos. Queria defender Martiniano Cavalcante. De minha parte creio que foi o ponto mais alto e mais significativo de toda a discussão. Afinal, e já começando uma análise política do que está em discussão, Heloísa Helena sabe que esta batalha interna expressa uma luta para dar continuidade e desenvolver o trabalho iniciado com a fundação do PSOL. Defender o caráter fundacional do partido foi o principal motivo de sua clara opção por Martiniano.
Vou pedir que você me acompanhe neste texto se estiver interessado nos rumos do PSOL. Afinal, é isso que está em discussão, embora este debate nem começou agora nem vai se encerrar na Conferência eleitoral nacional, independente de qual seja o seu resultado. Sobre o debate iniciado no RJ, de minha parte não tenho dúvidas de que Martiniano fez a melhor exposição. O mais contundente, o mais firme, o que se demonstrou com mais condições de representar o acúmulo programático e político do PSOL. Demonstrou ser quem melhor pode nos representar nos programas e, sobretudo, nos debates de TV, que será o momento mais alto da participação do partido no pleito nacional. Que fará uma campanha com condições de “peitar” Dilma e Serra e divulgar a legenda do PSOL.
Dito isso, acrescento o que é óbvio: todos os representantes das pré-candidaturas vão dizer que seu candidato ganhou o debate. Este roteiro também eu cumpro à risca. Afinal, todos que me conhecem sabem que estou entre aqueles que participam da vida do partido expressando e defendendo posições, não me escondendo ou dissimulando ideais. Por isso faço uma sugestão a todos e todas camaradas psolistas: assistam o vídeo, acessem no you tube (e creio que nestas horas já podem encontrá-lo também no site da camarada Luciana Genro, com que embarquei de Porto Alegre para juntos presenciarmos este primeiro debate de preparação da conferência eleitoral do PSOL). Então, assistam as exposições e tirem suas próprias conclusões.
Para sustentar a minha, me apoio não apenas no debate de ontem. Penso também que a carta aberta que Martiniano apresentou a todos e todas militantes do partido mostra que ele está melhor preparado. Trata-se de um documento político que ordena corretamente as tarefas da campanha nacional do PSOL. Peço que todos os militantes leiam com atenção este excelente documento e leiam também os documentos de lançamento dos outros dois pré-candidatos. Nestes textos mais do que em qualquer outra forma cada um terá ótimas condições de escolher o melhor caminho para o partido. De minha parte estou com Heloísa Helena.
Acreditando que todos acessaram o vídeo, não vou resumir nenhuma fala e me detenho apenas em considerações de algumas questões. Uma questão me chamou a atenção. Os dois candidatos que entraram na discussão, na polêmica, que na sua fala deixaram claro que propostas representam foi Babá e Martiniano. Babá passou o tempo todo atacando o PV e a direção do PSOL, acusando a direção do Rio de Janeiro de burocrática e responsabilizando a candidatura de Martiniano como responsável de todos os problemas do partido. Seu centro, como, já disse, foi atacar a possibilidade que havia se aberto de apoiar Marina casa ela aceitasse ser uma candidatura de enfrentamento à polarização conservadora do PT e do PSDB. Mas na fala de Babá não existiu nenhuma análise da correlação de forças, do peso do governo, da situação da economia real, das experiências dos governos latino americanos de Evo Morales e Chavez. Nenhuma palavra.
Mas o que me chamou atenção foi que Babá se dedicou a atacar a pré-candidatura de Martiniano. Parecia, sinceramente, uma candidatura encomendada para que Plínio falasse sobre o humano e o divino e não entrasse na polêmica real enquanto Babá mostrava, supostamente, as garras do combate. Digo supostamente porque a intervenção do Babá ficou nisso: ataque a Marina, como se esta questão já não estivesse resolvida. Mas quando me revelo surpreso é pelo fato de que Babá pessoalmente, dias antes do debate, havia me dito que não gostaria de polemizar com Martiniano. Me disse que respeitava muito Martiniano, que havia fundado o PSOL junto com ele e que a candidatura que ele considerava inaceitável era a candidatura de Plínio pelo fato de Plínio – com todo o respeito que merece – não representar este acúmulo da fundação. Estes eram os argumentos de Babá. Argumentos, inclusive, que segundo ele justificavam o lançamento do seu nome. Não foi isso o que ele disse no debate. Revelou-se, mais uma vez, como orgulhosamente reivindica, um homem de corrente. Neste caso a CST, que tem como centro atual de sua tática interna atacar o nome de Heloísa Helena e que tem como definição de que a direção do PSOL tem uma maioria reformista que deve ser derrotada.
Assim, com a fala de Babá, percebi que a primeira expressão pública da campanha de Babá pode ter sido o seu início e o seu final ao mesmo tempo. Se Babá sustentar sua campanha com base nos argumentos que ele dizia que o motivaram a lança-la, então seu nome sairá fortalecido independente do resultado numérico da votação. Se sua campanha seguir na linha da CST – que até agora fez de tudo para isolar o nome de Babá - tudo indica que seu nome será no final retirado da disputa e sua função pró-Plínio revelada neste primeiro debate se desdobrará na derrota política de Babá que aceitará se anular como líder público em nome de ideias marcadas pelo dogmatismo e do sectarismo. Estas nas mãos de Babá decidir esta questão.
Na sua intervenção Martiniano corretamente tentou sintetizar sua carta ao partido. Reivindicou que foi correta a tática de abrir negociações com Marina e disse que esta política foi a expressão da velha política das cartas abertas e de exigências preconizadas por Lenin. Disse que esta política é a que nos permitirá no debate de TV dizer claramente para Marina uma ideia que transcrevo livremente “ Marina, nós do PSOL queríamos nos unir com você para construir uma alternativa ao PT e ao PSDB/DEM, mas você se recusou a esta união e escolheu se aliar ao PSDB. Por isso os que querem um país melhor, que não concordam nem com Dilma e nem com Serra devem vir juntos com o PSOL, votar no 50 de Heloísa Helena” Não há dúvida de que esta abordagem nos dá força para enfrentá-la. Martiniano também defendeu a unidade com o PSTU e a Frente de esquerda. Mas não vendeu a idéia fácil de que a aliança esta resolvida. E deixou claro que nossa prioridade é a legenda do PSOL. Aliás, todos os pré-candidatos que dizem querer a aliança com o PSTU precisam começar a dizer o que estão dispostos a ceder para concretizar esta aliança. A campanha de Plínio, por exemplo, precisa dizer se vai defender que a cabeça de chapa em SP será ou não do PSTU. O que não pode é propagar algo que está longe de ocorrer, a saber, que o nome escolhido pelo PSOL é o que facilita realizar a composição ou não com o PSTU. Aliás, se fosse para dar um nome não tenho dúvida de que Martiniano, pelo seu peso interno no PSOL, teria mais condições de conduzir as negociações capazes de realizar a coligação. Mas nem isso pode garantir de antemão ter o PSTU nem o PCB ao nosso lado.
Na exposição de Martiniano, o companheiro apresentou uma crítica às declarações de Plínio na revista Carta Capital. Plínio nesta entrevista diz que o governo de Lula foi muito melhor do que o de FHC e de que Lula é um homem autêntico, que sente de verdade os problemas do povo, destacando características humanas que fortalecem a imagem de um líder de massas respeitável. Quem assistir o vídeo talvez me acompanhe na posição de que Martiniano depois de ler a citação de Plínio não desenvolveu, por falta de tempo, a conclusão fundamental, isto é, de que o candidato do PSOL não pode ser um comentarista que diz se um governo foi melhor que o outro ou se ele é amigo do Serra ou da Dilma, mas destacar o caráter nefasto do PT e do PSDB, mostrar de modo claro que precisamos de uma alternativa, de que tanto PT quanto o PSDB são projetos vinculados com os bancos, com os grandes empresários e particularmente com megaesquemas de corrupção.
Mas Martiniano foi além. Teve a ousadia de abordar temas complexos: correlação de forças entre as classes, relação da insurreição com a revolução, modelo de produção e de consumo. Infelizmente, os outros candidatos estiveram longe disso, ou os abordaram apenas superficialmente. De minha parte, embora concorde com a análise que a correlação de forças é desfavorável, tal como disse Martiniano no debate, exigindo, portanto, mais do que nunca, a política como arte para transformar a realidade, a mediação como categoria fundamental na elaboração da tática, sustento também que existem inúmeras oportunidades que estão abertas para os revolucionários. Ademais, mesmo com a correlação de forças sendo desfavorável, por conta, sobretudo, da confusão na consciência das massas, pela falta de uma alternativa política socialista e pela própria descrença na possibilidade da existência de uma alternativa, temas tocados por Martiniano, estamos num momento muito mais favorável do que outros momentos da história.
A classe trabalhadora e a humanidade, por exemplo, derrotaram o nazismo. Depois disso, foi pela ação da classe trabalhadora que inúmeras reformas sociais foram conquistadas na Europa e aqui, na nossa América Latina, foram os trabalhadores os sujeitos sociais fundamentais da derrota das ditaduras militares genocidas. Agora, também em nossa América Latina, os trabalhadores e as classes médias empobrecidas conquistaram governos nacionalistas e democráticos na Venezuela e na Bolívia, mostrando que surgiu uma corrente nacionalista revolucionária que não se via no continente desde a revolução cubana. Estes governos não existiriam sem a combinação de conquistas democráticas e levantes de massas, inclusive insurreições populares. Baixado a terra para o Brasil, a própria possibilidade do PSOL, na esteira do acúmulo de três décadas da esquerda que a própria existência do PSOL não permitiu que se perdesse de todo, mostra que a correlação de forças, embora desfavorável, nos coloca brechas para atuar e crescer, fortalecendo um polo socialista. Heloísa Helena segue sendo a personificação e símbolo deste acúmulo, não o único, mas o principal. Martiniano, aliás, é o único pré-candidato que percebe a importância desta liderança que conecta o PSOL hoje com a possibilidade de realmente disputar as massas e, portanto, de se colocar como alternativa de luta pelo poder.
Finalmente, a crise econômica capitalista mostra que, apesar da continuidade da defensiva das ideias socialistas, o capital também está deslegitimado – ou se deslegitimando -como modo de produção capaz de reproduzir a sociedade em constante progresso material. Traz cada vez mais desigualdade e destruição. A crise iniciada em 2007 apenas está dando seus primeiros passos e abriu, provavelmente, todo um período histórico novo capaz de recolocar a ofensiva socialista na ordem do dia. É óbvio que isso não se desenvolverá sem partido e sem política concreta que parta da análise concreta da situação e concreta e da relação de forças entre as classes. Martiniano teve a ousadia de entrar nestes temas. Vamos todos seguir desenvolvendo-os. No que diz respeito à política, Martiniano reafirmou a importância da luta contra a corrupção. Plínio, mais uma vez, não disse nada sobre isso. Parece desconhecer a vida do PSOL gaúcho que se fortaleceu em 2009 por ser o campeão da luta contra o governo corrupto do PSDB. Parece desconhecer a importância do PSOL do Distrito Federal, que com a direção de Enrique Morales, Toninho e Maninha, esteve na linha de frente do combate contra Arruda, o que fortaleceu o PSOL no Distrito Federal e nos abriu novas oportunidades. Martiniano mostrou não desconhecer a importância destas políticas.
Para finalizar quero comentar uma metáfora feita por Plinio acerca da correlação de forças entre as classes, aliás a única abordagem que fez sobre o assunto. Plínio bem humorado fez a metáfora da experiência com ratos que correm atrás de um queijo colocado a frente deles e que, justo na hora em que o queijo vai ser agarrado, o pesquisador tira o queijo e o rato se frustra. O rato tenta uma vez, quando vai pegar o queijo , o queijo é tirado. Na segunda, idem. Na terceira, idem. Na quarta, o queijo é posto na frente para que o rato corra para pegá-lo, mas o rato já não se mexe mais, desiste de ir atrás do queijo. Na metáfora o povo seria o ratinho, depois das frustrações que viveu ao longo dos últimos anos, a maior delas com Lula. De fato ocorreram muitas frustrações. De fato o povo esta desmobilizado. Mas acho infeliz a comparação com os ratinhos porque despreza um fenômeno fundamental: a consciência das massas populares. Muitas vezes quando os pés não estão andando muito a cabeça está tirando conclusões. Mas a desconsideração de Plínio pela consciência revelada nesta metáfora ( que se expressa também na pouco importância que Plínio atribui à luta contra a corrupção como elemento de desenvolvimento da consciência de classe) tem uma expressão mais grave: sua falta de compreensão acerca da importância do partido, em particular do PSOL
Não é uma questão de honestidade deste militante de 79 anos que milita mais do que muitos jovens de 29, sendo neste sentido um exemplo. Respeito Plínio como militante. Por isso também respeito suas ideias. Mas respeitar não quer dizer concordar, necessariamente. Plinio entende a recomposição da esquerda como um processo horizontal onde o PSOL é uma parte, mas não necessariamente a parte dirigente. Nós pensamos que o PSOL tem a vocação para ser a parte dirigente e sem o protagonismo do partido como central não há como – pelo menos neste período histórico – uma recomposição que realmente se efetive e coloque a luta pelo poder como luta central, em torno do qual o rumo do país se decide. Por isso em muitos dos seus artigos recentes escritos na Folha de SP, Plínio sequer se apresentava como militante do PSOL, se apresentando apenas como ex-deputado federal do PT. Por isso creio que no fundo Plínio não entende a importância da campanha chamando o voto na legenda do PSOL. E não é uma importância apenas eleitoral, que por si só já seria justificável. E para fortalecer a sigla do partido, para fortalecer o partido como carro chefe das lutas sociais, como condutor, como partido dirigente da classe trabalhadora e do povo pobre na defesa das suas demandas imediatas e em sua mobilização permanente até a conquista de um governo revolucionário dos trabalhadores e do povo.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Saúde aos pedaços e o sol
Nos últimos 16 anos foram reduzidos 3.200 leitos hospitalares do SUS em Porto Alegre. Isso mesmo: 3.200. É um verdadeiro escândalo noticiado pelo Diário Gaúcho e que repercutiu ainda na coluna diária do jornalista Paulo Sant'Ana. E neste período não aumentou o número de postos de saúde, o que poderia resolver uma parte importante dos problemas de saúde da população. Mas não, nem uma coisa nem outra. A saúde piorou nos 16 últimos anos, não por acaso correspondentes ao governo FHC e Lula. E o incrível é que a grande mídia e a esmagadora maioria dos partidos dizem que nos últimos quatro mandatos presidenciais o país esta avançando. Até Marina Silva, que deveria ser de oposição, reproduz este discurso que serve apenas para manter tudo como está. Mas e a saúde da população. Em Porto Alegre, com 3.200 leitos hospitalares a menos e com aumento da população, com certeza a saúde pública esta menos assistida. A população está sendo desrespeitada. É claro que isso nao ocorre apenas na capital dos gaúchos.
A propósito: gostei da charge do Marco Aurélio do Zero Hora de hoje, sábado, na página 05. A Yeda desenhada com o sol de rachar na cabeça dizendo "este P "mostra que nosso partido está fazendo o que deve fazer: fiscalizar e cobrar para que os interesses do povo e dos trabalhadores não sejam pisoteados.
A propósito: gostei da charge do Marco Aurélio do Zero Hora de hoje, sábado, na página 05. A Yeda desenhada com o sol de rachar na cabeça dizendo "este P "mostra que nosso partido está fazendo o que deve fazer: fiscalizar e cobrar para que os interesses do povo e dos trabalhadores não sejam pisoteados.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
O Brasil tem sua economia voltada para atender os interesses dos conglomerados privados de capital estrangeiro e nacional a ele associado. Isso é algo evidente. Não é só o problema do aumento do déficit externo, que revela a dependência dos capitais especulativos e do investimento estrangeiro para o país fechar suas contas, mas do sentido mesmo da produção nacional. Os setores vinculados com a indústria química, farmaceutica, automobilistica, estão desnacionalizados. São empresas estrangeiras que dominam. No setor da produção de álcool cresce o domínio das empresas multinacioanais. Anunciaram na terça - 02/02 - a joint venture entre a maior produtora de biocombustível do Brasil e a petroleira anglo-holandesa, a gigante Shell. O negócio foi de U$S 12 bilhões de dólares e você ganha um prêmio se advinhar quem sai dominando o novo negócio. Temos insistido, além disso, que a agropecuária tem tido como objetivo central obter divisas em moeda estrangeira. As empresas capitalistas rurais tem produzido - e centralmente para exportar - basicamente quatro mercadorias: álcool de cana de açúcar, soja, carne e madeiras. No ano de 2009 as exportaçoes da agropecuária no Brasil renderam U$S 64,7 bilhões. Pois bem, destes U$S 33, 7 bilhões, no mesmo período, sairam os país para bancar a remessa de lucros e dividendos. Ou seja, em parte a exportação da agropecuário se destina a bancar a festa das empresas estrangeiras. Por isso criticamos o governo. Por isso este governo é aplaudido Lula recebe prêmios em Davos.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Ainda sobre o campo
No Censo agropecuário de 2006, divulgado em 2009, fica claro a concentração de terras no Brasil e a importância da pequena e média agricultura. Fica claro também que a política governamental seguiu privilegiando os grandes latifúndios e as grandes empresas capitalistas rurais
Um esquema, um resumo de algumas questões do censo nos diz o seguinte:
Os camponeses tiveram
14% do crédito
24% da produção vendida
40% do valor total da
70% da produção total de comida do país
74% da mão de obra
Por sua vez as grandes empresas e médias tiveram
86% do crédito
76% das terras
60% do valor da produção vendida terras
30% da produção total de comida
26% da mão de obra
Compare os números
A conclusão é óbvia: os camponeses empregaram mais mão de obra, embora tenha tido menos crédito e menos terra. E são os que garantem o abastecimento de comida para as cidades e a população trabalhadora.
Um esquema, um resumo de algumas questões do censo nos diz o seguinte:
Os camponeses tiveram
14% do crédito
24% da produção vendida
40% do valor total da
70% da produção total de comida do país
74% da mão de obra
Por sua vez as grandes empresas e médias tiveram
86% do crédito
76% das terras
60% do valor da produção vendida terras
30% da produção total de comida
26% da mão de obra
Compare os números
A conclusão é óbvia: os camponeses empregaram mais mão de obra, embora tenha tido menos crédito e menos terra. E são os que garantem o abastecimento de comida para as cidades e a população trabalhadora.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Escolha no PSOL
AO PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE,
Carta de Martiniano Cavalcanti
POR QUE ACEITEI A PRÉ-CANDIDATURA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
COMPANHEIROS (AS),
Todos os que possuímos um coração socialista e revolucionário
vivenciamos tempos de incerteza e de decisão. O futuro da humanidade está sendo escolhido. A responsabilidade da classe trabalhadora é gigantesca. Os socialistas devem estar à altura dos novos desafios que se apresentam.
Acontecimentos históricos de grande importância exigem respostas das mudanças ocorridas no mundo. Destaco o colapso da União Soviética e do leste europeu. A contínua e crescente revolução científica com seu “tsunami” nas relações de trabalho. A influência dos novos meios de comunicação de massas no modo de vida dos indivíduos. As fortes demandas criadas na sociedade atual pela diversidade social, racial, sexual e cultural. E, principalmente, a patente insustentabilidade do modo de produção e de consumo capitalistas.
Tudo isso se fundiu num verdadeiro impasse diante da civilização humana e cobra dos socialistas um projeto renovado que aponte de maneira consistente a superação das agudas contradições que ameaçam conduzir a humanidade para a barbárie.
No Brasil somou-se a esta enorme tarefa um obstáculo particular derivado das condições políticas nacionais. Aqui, a bem sucedida conversão do PT às forças do capital e a grande popularidade do governo Lula lograram fechar a disputa aberta no final da ditadura militar quanto aos rumos para o país. Lula e seu governo coroaram a transição conservadora e a consolidação de um capitalismo altamente monopolizado que incorporou o latifúndio e se integrou plenamente ao capital financeiro internacional. Aqueles que durante décadas incorporaram as maiores aspirações democráticas do povo brasileiro e chegaram a se apresentar como a principal ameaça aos interesses do grande capital, se converteram, por opção própria, no maior elemento de sua sustentabilidade e desenvolvimento.
Eu tenho a profunda convicção de que, diante deste cenário difícil, a criação do PSOL foi a mais importante construção realizada pela recomposição da esquerda brasileira.
Nosso partido nasceu com vocação para contribuir com a atualização teórica e programática do projeto socialista e, ao mesmo tempo, resgatar o combate intransigente às oligarquias burguesas e às forças neoliberias. Além disso, inauguramos novo ciclo histórico que pautou a necessidade inegociável de enfrentar e superar o social liberalismo de Lula e do PT.
Inegavelmente o PSOL é uma construção incompleta e cheia de debilidades. Mas, em contrapartida, é portador de características fundamentais para a construção um partido revolucionário com influência de massas e com determinação para disputar o poder político.
Este perfil reflete uma acumulação, prática e teórica, realizada pelo trabalho das forças mais conseqüentes que participaram da fundação do partido, fortalecidas por concepções afins que entraram no PSOL em 2005, após a segunda onda de rupturas com o PT.
O nome do partido e sua conjugação de socialismo e liberdade expressam uma opção consciente que nega os regimes ditatoriais. Nosso funcionamento orgânico, subordinado à pluralidade de concepções, também revela um irredutível compromisso com a democracia na construção do socialismo. Desde o seu ato inaugural, o PSOL se pautou pela atuação política voltada, prioritariamente, pelo diálogo amplo com as massas. Procurou debater seus problemas concretos e se esforçou para apresentar um projeto organizador de soluções reais e verdadeiras para eles. Ao mesmo tempo manteve sempre presente a necessidade histórica da transformação social e rejeitou as tentações propagandistas, auto-proclamatórias e sectárias.
Deste viés político brotaram nossos melhores frutos. A força social adquirida pela companheira Heloisa Helena, a respeitabilidade pública adquirida pelos nossos parlamentares e a consolidação crescente de nossas lideranças populares em construção.
Foram estas concepções que orientaram a correta procura de dialogo com a Senadora Marina Silva. Não escolhemos o caminho simplista e cômodo de menosprezar aquela ruptura incompleta com o PT, rotulando-a de ecocapitalista e nos autoproclamando ecossocialistas. Procuramos dialogar com o movimento desencadeado por ela, com sua simbologia de política limpa vinculada à importantíssima questão ambiental e com a base social que ela representa. Propusemos que ela se juntasse a nós para combater, com coligação de esquerda, a polarização PT x PSDB. Esta atuação do PSOL demonstrou a todo o país, com fatos e não com discursos professorais, que ela e o seu PV preferiram se aproximar dos Tucanos e dos Demos, deixando-nos em posição privilegiada para combatê-la.
Foi produto desta linha política a correta posição que autorizou ao PSOL assumir a defesa dos processos revolucionários da América Latina, mantendo a independência partidária, mas assumindo um lado claro, sem se confundir com a propaganda e as ações da direta.
Naturalmente tudo isso é insuficiente. É apenas o início de uma caminhada. Não garante que conquistaremos a adesão das forças vivas do nosso povo, dos setores de massa mais avançados do país. É preciso avançar muito, mas avançar na direção de aperfeiçoar os acertos políticos gerais que marcaram a fisionomia do PSOL desde a sua fundação até aqui.
A pré-candidatura à presidência da república que represento nasce defendendo esta compreensão. Contrapondo-se àqueles que, de um modo ou de outro, pretendem utilizar a campanha presidencial para derrotar as principais forças do partido e dar ao PSOL um perfil antagônico ao que ele teve até agora. Propostas que buscam, conscientemente, o isolamento e que pretendem dirigir a campanha e o discurso do PSOL apenas para a vanguarda socialista não condizem com o acúmulo que realizamos. Uns se escondem atrás do propagandismo ideológico socialista para se omitir da indispensável crítica e do inadiável combate político ao governo do PT. Outros o fazem de maneira estridente e sectária pouco compreensível para as amplas massas.
Minha disposição é colaborar para construir coletivamente uma plataforma eleitoral baseada no desenvolvimento das linhas mais positivas de nosso acúmulo partidário. Disponho-me a atuar com toda dedicação necessária para a urgente consolidação da unidade de todas as correntes, setores, lideranças e militantes que contribuíram para construí-lo e que pretendem defendê-lo.
Acredito que este é o único caminho coerente para colocar no centro da campanha a defesa de nossa legenda, propangadear a atuação de nossas representações parlamentares, animar nossa militância, conquistar a simpatia do eleitorado e o voto em nossos candidatos.
A síntese desta compreensão política é o programa de campanha. Ele não pode ser uma plataforma de caráter diretamente socialista por pura impossibilidade das condições concretas. Será, isto sim, um programa centrado na realização da emancipação social, nas reivindicações e nas demandas mais agudas da luta popular. Pautado pelo enfrentamento concreto dos privilégios do capital financeiro, dos grandes conglomerados capitalistas, do imperialismo e do latifúndio. Fundado no compromisso irredutível com o caráter radicalmente democrático do governo, do estado e do socialismo que defendemos. Impregnado da utopia ecossocialista que deve orientar a construção de uma nova economia e de um novo modo de vida, verdadeiramente sustentáveis. Assim nosso programa será anti-capitalista com orientação socialista.
Coerente com essa linha quero externar o meu entendimento sobre quatro grandes vetores que considero centrais na estruturação do discurso de campanha:
O Caráter do Estado Brasileiro – Temos que aproveitar a oportunidade para demonstrar de modo cristalino a natureza essencial da corrupção na constituição do poder e das instituições da república brasileira. Esclarecer de maneira pedagógica que o poder político no Brasil se sustenta em um círculo vicioso. Começa com a ação do poder econômico no financiamento das campanhas. Passa, sem exceção, pela transformação de todos os negócios públicos em negociatas privadas para satisfazer os interesses de grupos econômicos e propiciar o enriquecimento de oligarquias políticas. Chega, por fim, à dominação completa do Legislativo, do Executivo e do Judiciário por uma camada social dominante. Esta é a melhor base conceitual para denunciar, em particular, os mensalões do PSDB, PT e DEM e a corrupção, em geral, mostrando-a como mecanismo essencial do poder burguês. Diante deste quadro, apresentar nossa proposta de mudança deste caráter do Estado como instrumento privado a serviço de uma elite econômica e política, transformando-o, de fato, em instrumento a serviço da maioria do povo e por ele controlado. Para materializar esta mudança devemos apresentar uma proposta de regulamentação do exercício da democracia direta prevista na Constituição. Assim, articularemos a aplicação de plebiscitos e referendos para definição de temas políticos e econômicos relevantes com a revogabilidade de mandatos através de iniciativa popular. Defenderemos o fim do financiamento privado de campanha e a democratização dos recursos públicos e do tempo de propaganda no rádio e televisão. Devemos também apresentar propostas concretas que fortaleçam os conselhos e o controle social sobre o aparelho do Estado. Para implementar esta ruptura do circulo de ferro que aprisiona de maneira absoluta o poder político puramente aos interesses do capital, acredito que devemos defender uma constituinte exclusiva para tratar da reforma política convocada através de um plebiscito nacional.
Política Econômica – Além de combater as concepções neoliberais, o PSOL terá que apresentar sua concepção de política econômica. A crise global do capitalismo agravada pela crise financeira desencadeada em 2008 nos da excelente condição para defender uma intervenção mais forte do Estado na economia, uma vez que os grandes capitalistas do mundo inteiro socorreram-se, despudoradamente, dos recursos públicos para se salvarem da quebradeira geral. Apesar desse aspecto bastante favorável, devemos ter clara consciência de que a correlação de forças não nos permite apresentar propostas gerais de estatização de setores econômicos, sejam da indústria ou dos serviços como educação e saúde. Nas atuais condições tais posicionamentos servem apenas para “chocar” a opinião pública, quando nosso objetivo é justamente ao contrário; estabelecer um diálogo mediado e pedagógico com a população. Por isso, acredito que nossa melhor opção é desenvolver a linha da sintonia fina entre as grandes mudanças políticas e a aplicação de medidas democráticas profundas e incontestáveis. Tomemos como exemplo o problema da dívida pública, que podemos abordar propondo a suspensão geral e imediata do pagamento dos juros ou de outra maneira, que acredito correta e mais eficiente, propugnando pela auditoria cidadã nacional da dívida pública. Apoiando-nos no trabalho do jubileu e da bancada do PSOL na CPI da dívida, preservando os interesses dos trabalhadores, de pequenos e médios poupadores, devemos propor, através de um plebiscito nacional, a suspensão do pagamento dos juros. Além de equacionar o problema da divida pública, com esta proposta, abriremos espaço para discutir a necessidade de libertar a economia nacional da submissão aos monopólios e ao capital financeiro. Defenderemos, também, a intervenção do Estado e um planejamento econômico estratégico que contemple os interesses do trabalho, a distribuição de renda, a inversão da estrutura tributária, o aumento da tributação dos mais ricos do capital e, especialmente, das atividades com alta demanda de recursos naturais e poluidoras. Defenderemos ainda a redução da tributação dos mais pobres, dos trabalhadores, dos pequenos e médios proprietários e de atividades econômicas sustentáveis ambientalmente. Seguindo esta linha de intervenção, devemos propor, ao mesmo tempo, uma mudança na relação do Estado com os grandes conglomerados. Aquele deve exercer o controle social e impor as determinações do planejamento estratégico nacional sobre este. As fontes de financiamentos públicos priorizarão financiamento dos investimentos sociais, os pequenos produtores e o desenvolvimento de formas associativas de produção e consumo.
A Questão Social – Nosso programa deve assumir as formulações emanadas do movimento social. Todas representam um acumulo histórico de décadas de luta em defesa da educação e da saúde públicas, da reforma agrária, da reforma urbana, da previdência pública e da melhoria das condições de vida e de trabalho do nosso povo. Creio que devemos dar um passo a diante debatendo o assunto e propondo uma nova abolição da moderna escravatura, com metas e prazos concretos para a saúde e educação públicas, inclusive para eliminação do analfabetismo, dos déficites de habitação, saneamento e transporte público. Certamente teremos que enfrentar a discussão sobre os programas sociais do governo Lula, especialmente o Bolsa-Família e o PROUNI. Acredito que, ao contrário de condenar frontalmente estes programas, devemos ressaltar a sua insuficiência para, de fato, eliminar a miséria social. Especificamente sobre o PROUNI, devemos propor uma política de universalização do ensino público gratuito de qualidade que possa substituir, em curto prazo, as vagas do PROUNI pela ampliação das vagas nas universidades públicas.
A Questão Ambiental – Devemos aproveitar a campanha eleitoral para propagandear a concepção ecossocialista e expor pedagogicamente a incompatibilidade do sistema capitalista com a sustentabilidade ambiental. Apoiados neste principio teremos condições de fazer uma crítica demolidora à política ambiental das candidaturas Dilma, Serra e Mariana Silva/PV. Enquanto denúncia, a exploração desse tema tem muita força, mas toda essa energia se perde quando não acompanhada de proposições concretas para enfrentar as profundas mudanças do modo de produção, consumo e vida. Acredito que devemos incorporar as questões ambientais de caráter nacional, como apoio ao desmatamento zero na Amazônia, a condenação da transposição do Rio São Franscisco, a denúncia da tentativa de mudanças do Código Florestal, a luta contra a construção da Usina de Belo Monte, dentre outras muitas. Mas, além de tudo isso, devemos defender a elaboração de um plano nacional de sustentabilidade econômica que imponha oneração fiscal às atividades poluidoras e predatórias de recursos naturais, e um projeto nacional de coleta seletiva, reciclagem e destinação adequada de resíduos urbanos. Podemos ir além e defender a criação de um grande empresa estatal, nos moldes do que foi a criação da PETROBRAS, que funcione como um centro nacional de pesquisa aplicada e produção sustentável baseada na bio-diversidade da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica. Defendemos que o Brasil assuma a vanguarda mundial na luta por uma economia limpa e sustentável através de uma forte intervenção estatal que leve em conta também a necessidade de um programa nacional de educação ambiental que mobilize as forças do povo brasileiro.
Queridos companheiros e companheiras, neste texto apresentei o que considero propósitos centrais de uma campanha presidencial do PSOL. Acredito que podemos ser protagonistas de uma campanha revolucionária, apaixonante e equilibrada. Isto está nas mãos de nossos militantes que escolherão, em nossa conferência nacional eleitoral, o candidato a presidente e o perfil programático mais adequado para o momento político atual. Poderemos superar as adversidades da conjuntura e realizar uma campanha vitoriosa capaz de manter viva a construção de um PSOL amplo e unitário, uma alternativa real em oposição às forças do capital e aos blocos do PSDB e do PT. Embrionária, mas vocacionada para buscar, na disputa de massas, a energia necessária para sua própria construção e para transformação social do Brasil. Um abraço a todos e a todas.
Martiniano Cavalcante.
Carta de Martiniano Cavalcanti
POR QUE ACEITEI A PRÉ-CANDIDATURA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
COMPANHEIROS (AS),
Todos os que possuímos um coração socialista e revolucionário
vivenciamos tempos de incerteza e de decisão. O futuro da humanidade está sendo escolhido. A responsabilidade da classe trabalhadora é gigantesca. Os socialistas devem estar à altura dos novos desafios que se apresentam.
Acontecimentos históricos de grande importância exigem respostas das mudanças ocorridas no mundo. Destaco o colapso da União Soviética e do leste europeu. A contínua e crescente revolução científica com seu “tsunami” nas relações de trabalho. A influência dos novos meios de comunicação de massas no modo de vida dos indivíduos. As fortes demandas criadas na sociedade atual pela diversidade social, racial, sexual e cultural. E, principalmente, a patente insustentabilidade do modo de produção e de consumo capitalistas.
Tudo isso se fundiu num verdadeiro impasse diante da civilização humana e cobra dos socialistas um projeto renovado que aponte de maneira consistente a superação das agudas contradições que ameaçam conduzir a humanidade para a barbárie.
No Brasil somou-se a esta enorme tarefa um obstáculo particular derivado das condições políticas nacionais. Aqui, a bem sucedida conversão do PT às forças do capital e a grande popularidade do governo Lula lograram fechar a disputa aberta no final da ditadura militar quanto aos rumos para o país. Lula e seu governo coroaram a transição conservadora e a consolidação de um capitalismo altamente monopolizado que incorporou o latifúndio e se integrou plenamente ao capital financeiro internacional. Aqueles que durante décadas incorporaram as maiores aspirações democráticas do povo brasileiro e chegaram a se apresentar como a principal ameaça aos interesses do grande capital, se converteram, por opção própria, no maior elemento de sua sustentabilidade e desenvolvimento.
Eu tenho a profunda convicção de que, diante deste cenário difícil, a criação do PSOL foi a mais importante construção realizada pela recomposição da esquerda brasileira.
Nosso partido nasceu com vocação para contribuir com a atualização teórica e programática do projeto socialista e, ao mesmo tempo, resgatar o combate intransigente às oligarquias burguesas e às forças neoliberias. Além disso, inauguramos novo ciclo histórico que pautou a necessidade inegociável de enfrentar e superar o social liberalismo de Lula e do PT.
Inegavelmente o PSOL é uma construção incompleta e cheia de debilidades. Mas, em contrapartida, é portador de características fundamentais para a construção um partido revolucionário com influência de massas e com determinação para disputar o poder político.
Este perfil reflete uma acumulação, prática e teórica, realizada pelo trabalho das forças mais conseqüentes que participaram da fundação do partido, fortalecidas por concepções afins que entraram no PSOL em 2005, após a segunda onda de rupturas com o PT.
O nome do partido e sua conjugação de socialismo e liberdade expressam uma opção consciente que nega os regimes ditatoriais. Nosso funcionamento orgânico, subordinado à pluralidade de concepções, também revela um irredutível compromisso com a democracia na construção do socialismo. Desde o seu ato inaugural, o PSOL se pautou pela atuação política voltada, prioritariamente, pelo diálogo amplo com as massas. Procurou debater seus problemas concretos e se esforçou para apresentar um projeto organizador de soluções reais e verdadeiras para eles. Ao mesmo tempo manteve sempre presente a necessidade histórica da transformação social e rejeitou as tentações propagandistas, auto-proclamatórias e sectárias.
Deste viés político brotaram nossos melhores frutos. A força social adquirida pela companheira Heloisa Helena, a respeitabilidade pública adquirida pelos nossos parlamentares e a consolidação crescente de nossas lideranças populares em construção.
Foram estas concepções que orientaram a correta procura de dialogo com a Senadora Marina Silva. Não escolhemos o caminho simplista e cômodo de menosprezar aquela ruptura incompleta com o PT, rotulando-a de ecocapitalista e nos autoproclamando ecossocialistas. Procuramos dialogar com o movimento desencadeado por ela, com sua simbologia de política limpa vinculada à importantíssima questão ambiental e com a base social que ela representa. Propusemos que ela se juntasse a nós para combater, com coligação de esquerda, a polarização PT x PSDB. Esta atuação do PSOL demonstrou a todo o país, com fatos e não com discursos professorais, que ela e o seu PV preferiram se aproximar dos Tucanos e dos Demos, deixando-nos em posição privilegiada para combatê-la.
Foi produto desta linha política a correta posição que autorizou ao PSOL assumir a defesa dos processos revolucionários da América Latina, mantendo a independência partidária, mas assumindo um lado claro, sem se confundir com a propaganda e as ações da direta.
Naturalmente tudo isso é insuficiente. É apenas o início de uma caminhada. Não garante que conquistaremos a adesão das forças vivas do nosso povo, dos setores de massa mais avançados do país. É preciso avançar muito, mas avançar na direção de aperfeiçoar os acertos políticos gerais que marcaram a fisionomia do PSOL desde a sua fundação até aqui.
A pré-candidatura à presidência da república que represento nasce defendendo esta compreensão. Contrapondo-se àqueles que, de um modo ou de outro, pretendem utilizar a campanha presidencial para derrotar as principais forças do partido e dar ao PSOL um perfil antagônico ao que ele teve até agora. Propostas que buscam, conscientemente, o isolamento e que pretendem dirigir a campanha e o discurso do PSOL apenas para a vanguarda socialista não condizem com o acúmulo que realizamos. Uns se escondem atrás do propagandismo ideológico socialista para se omitir da indispensável crítica e do inadiável combate político ao governo do PT. Outros o fazem de maneira estridente e sectária pouco compreensível para as amplas massas.
Minha disposição é colaborar para construir coletivamente uma plataforma eleitoral baseada no desenvolvimento das linhas mais positivas de nosso acúmulo partidário. Disponho-me a atuar com toda dedicação necessária para a urgente consolidação da unidade de todas as correntes, setores, lideranças e militantes que contribuíram para construí-lo e que pretendem defendê-lo.
Acredito que este é o único caminho coerente para colocar no centro da campanha a defesa de nossa legenda, propangadear a atuação de nossas representações parlamentares, animar nossa militância, conquistar a simpatia do eleitorado e o voto em nossos candidatos.
A síntese desta compreensão política é o programa de campanha. Ele não pode ser uma plataforma de caráter diretamente socialista por pura impossibilidade das condições concretas. Será, isto sim, um programa centrado na realização da emancipação social, nas reivindicações e nas demandas mais agudas da luta popular. Pautado pelo enfrentamento concreto dos privilégios do capital financeiro, dos grandes conglomerados capitalistas, do imperialismo e do latifúndio. Fundado no compromisso irredutível com o caráter radicalmente democrático do governo, do estado e do socialismo que defendemos. Impregnado da utopia ecossocialista que deve orientar a construção de uma nova economia e de um novo modo de vida, verdadeiramente sustentáveis. Assim nosso programa será anti-capitalista com orientação socialista.
Coerente com essa linha quero externar o meu entendimento sobre quatro grandes vetores que considero centrais na estruturação do discurso de campanha:
O Caráter do Estado Brasileiro – Temos que aproveitar a oportunidade para demonstrar de modo cristalino a natureza essencial da corrupção na constituição do poder e das instituições da república brasileira. Esclarecer de maneira pedagógica que o poder político no Brasil se sustenta em um círculo vicioso. Começa com a ação do poder econômico no financiamento das campanhas. Passa, sem exceção, pela transformação de todos os negócios públicos em negociatas privadas para satisfazer os interesses de grupos econômicos e propiciar o enriquecimento de oligarquias políticas. Chega, por fim, à dominação completa do Legislativo, do Executivo e do Judiciário por uma camada social dominante. Esta é a melhor base conceitual para denunciar, em particular, os mensalões do PSDB, PT e DEM e a corrupção, em geral, mostrando-a como mecanismo essencial do poder burguês. Diante deste quadro, apresentar nossa proposta de mudança deste caráter do Estado como instrumento privado a serviço de uma elite econômica e política, transformando-o, de fato, em instrumento a serviço da maioria do povo e por ele controlado. Para materializar esta mudança devemos apresentar uma proposta de regulamentação do exercício da democracia direta prevista na Constituição. Assim, articularemos a aplicação de plebiscitos e referendos para definição de temas políticos e econômicos relevantes com a revogabilidade de mandatos através de iniciativa popular. Defenderemos o fim do financiamento privado de campanha e a democratização dos recursos públicos e do tempo de propaganda no rádio e televisão. Devemos também apresentar propostas concretas que fortaleçam os conselhos e o controle social sobre o aparelho do Estado. Para implementar esta ruptura do circulo de ferro que aprisiona de maneira absoluta o poder político puramente aos interesses do capital, acredito que devemos defender uma constituinte exclusiva para tratar da reforma política convocada através de um plebiscito nacional.
Política Econômica – Além de combater as concepções neoliberais, o PSOL terá que apresentar sua concepção de política econômica. A crise global do capitalismo agravada pela crise financeira desencadeada em 2008 nos da excelente condição para defender uma intervenção mais forte do Estado na economia, uma vez que os grandes capitalistas do mundo inteiro socorreram-se, despudoradamente, dos recursos públicos para se salvarem da quebradeira geral. Apesar desse aspecto bastante favorável, devemos ter clara consciência de que a correlação de forças não nos permite apresentar propostas gerais de estatização de setores econômicos, sejam da indústria ou dos serviços como educação e saúde. Nas atuais condições tais posicionamentos servem apenas para “chocar” a opinião pública, quando nosso objetivo é justamente ao contrário; estabelecer um diálogo mediado e pedagógico com a população. Por isso, acredito que nossa melhor opção é desenvolver a linha da sintonia fina entre as grandes mudanças políticas e a aplicação de medidas democráticas profundas e incontestáveis. Tomemos como exemplo o problema da dívida pública, que podemos abordar propondo a suspensão geral e imediata do pagamento dos juros ou de outra maneira, que acredito correta e mais eficiente, propugnando pela auditoria cidadã nacional da dívida pública. Apoiando-nos no trabalho do jubileu e da bancada do PSOL na CPI da dívida, preservando os interesses dos trabalhadores, de pequenos e médios poupadores, devemos propor, através de um plebiscito nacional, a suspensão do pagamento dos juros. Além de equacionar o problema da divida pública, com esta proposta, abriremos espaço para discutir a necessidade de libertar a economia nacional da submissão aos monopólios e ao capital financeiro. Defenderemos, também, a intervenção do Estado e um planejamento econômico estratégico que contemple os interesses do trabalho, a distribuição de renda, a inversão da estrutura tributária, o aumento da tributação dos mais ricos do capital e, especialmente, das atividades com alta demanda de recursos naturais e poluidoras. Defenderemos ainda a redução da tributação dos mais pobres, dos trabalhadores, dos pequenos e médios proprietários e de atividades econômicas sustentáveis ambientalmente. Seguindo esta linha de intervenção, devemos propor, ao mesmo tempo, uma mudança na relação do Estado com os grandes conglomerados. Aquele deve exercer o controle social e impor as determinações do planejamento estratégico nacional sobre este. As fontes de financiamentos públicos priorizarão financiamento dos investimentos sociais, os pequenos produtores e o desenvolvimento de formas associativas de produção e consumo.
A Questão Social – Nosso programa deve assumir as formulações emanadas do movimento social. Todas representam um acumulo histórico de décadas de luta em defesa da educação e da saúde públicas, da reforma agrária, da reforma urbana, da previdência pública e da melhoria das condições de vida e de trabalho do nosso povo. Creio que devemos dar um passo a diante debatendo o assunto e propondo uma nova abolição da moderna escravatura, com metas e prazos concretos para a saúde e educação públicas, inclusive para eliminação do analfabetismo, dos déficites de habitação, saneamento e transporte público. Certamente teremos que enfrentar a discussão sobre os programas sociais do governo Lula, especialmente o Bolsa-Família e o PROUNI. Acredito que, ao contrário de condenar frontalmente estes programas, devemos ressaltar a sua insuficiência para, de fato, eliminar a miséria social. Especificamente sobre o PROUNI, devemos propor uma política de universalização do ensino público gratuito de qualidade que possa substituir, em curto prazo, as vagas do PROUNI pela ampliação das vagas nas universidades públicas.
A Questão Ambiental – Devemos aproveitar a campanha eleitoral para propagandear a concepção ecossocialista e expor pedagogicamente a incompatibilidade do sistema capitalista com a sustentabilidade ambiental. Apoiados neste principio teremos condições de fazer uma crítica demolidora à política ambiental das candidaturas Dilma, Serra e Mariana Silva/PV. Enquanto denúncia, a exploração desse tema tem muita força, mas toda essa energia se perde quando não acompanhada de proposições concretas para enfrentar as profundas mudanças do modo de produção, consumo e vida. Acredito que devemos incorporar as questões ambientais de caráter nacional, como apoio ao desmatamento zero na Amazônia, a condenação da transposição do Rio São Franscisco, a denúncia da tentativa de mudanças do Código Florestal, a luta contra a construção da Usina de Belo Monte, dentre outras muitas. Mas, além de tudo isso, devemos defender a elaboração de um plano nacional de sustentabilidade econômica que imponha oneração fiscal às atividades poluidoras e predatórias de recursos naturais, e um projeto nacional de coleta seletiva, reciclagem e destinação adequada de resíduos urbanos. Podemos ir além e defender a criação de um grande empresa estatal, nos moldes do que foi a criação da PETROBRAS, que funcione como um centro nacional de pesquisa aplicada e produção sustentável baseada na bio-diversidade da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica. Defendemos que o Brasil assuma a vanguarda mundial na luta por uma economia limpa e sustentável através de uma forte intervenção estatal que leve em conta também a necessidade de um programa nacional de educação ambiental que mobilize as forças do povo brasileiro.
Queridos companheiros e companheiras, neste texto apresentei o que considero propósitos centrais de uma campanha presidencial do PSOL. Acredito que podemos ser protagonistas de uma campanha revolucionária, apaixonante e equilibrada. Isto está nas mãos de nossos militantes que escolherão, em nossa conferência nacional eleitoral, o candidato a presidente e o perfil programático mais adequado para o momento político atual. Poderemos superar as adversidades da conjuntura e realizar uma campanha vitoriosa capaz de manter viva a construção de um PSOL amplo e unitário, uma alternativa real em oposição às forças do capital e aos blocos do PSDB e do PT. Embrionária, mas vocacionada para buscar, na disputa de massas, a energia necessária para sua própria construção e para transformação social do Brasil. Um abraço a todos e a todas.
Martiniano Cavalcante.
Falando em crise...
A produção da indústria brasileira retraiu em dezembro pelo segundo mês consecutivo, encerrando 2009 com queda de 7,4%, a mais forte desde 1990, abatida pela crise financeira mundial.
Colapso
"Todo mundo está procurando por mim e eu não tenho a resposta", foi o que disse a mulher o então secretário do Tesouro dos EUA no período mais quente da crise econômica, em 2008, segundo reportagem do Financial Times de ontem, reproduzida pela FS.Henry Paulson está lançando um livro que relata sua atuação e a apreciação sobre a mais grave crise econômica mundial desde 1929. "On the Brink", em tradução livre "No limite", Paulson deixa claro a gravidade da situaçao e como de fato o sistema capitalista tem fragilidades gigantescas, bem longe da estabilidade permanente que intelectuais a serviço do capital e a grande mídia do mesmo tipo tentam vender. Em primeiro lugar, o ex-secretário disse que temeu uma violenta corrida ao dólar que provocaria uma queda da moeda norteamericana, o que quer dizer que temeu pela sustentação da dívida pública deste país, base atual da manutenção do sistema. Em segundo lugar disse que o desemprego estaria em 25% nos EUA (hoje está em 10%)se os bancos não fossem socorridos. Este dado, por si só, mostra a natureza excludente do sistema. Afinal, se os bancos devem ser salvos para evitar uma catástofre ainda maior nos marcos do sistema com fortunas que seriam capazes de contribuir com a melhora das condiçoes de vida de milhões de pessoas é porque o sistema é realmente elitista e para poucos. E segundo o livro, o sistema esteve mesmo próximo do colapso. São palavras do ex-secretário. Isso quer dizer que está posta a necessidade de pensar uma reordenamento global da economia, um tipo de regulaçao onde os bancos nao sejam privados, mas públicos, e o crédito em sua boa parte destinado para projetos de interesse público, a partir de um plano de desenvolvimento democraticamente discutido e votado pela sociedade.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Quem produz mais no campo gaúcho
Estudos da FIPE/USP indicam que 55% do PIB gaúcho vem da agropecuária. Não é pouca coisa. E não há dúvida de que o fundamental desta produção nao vem dos latifúndios nem das empresas capitalistas cujo centro é a produçao para exportação. Vem da pequena e media propriedade. 86% dos estabelecimentos gaúchos rurais são da agricultura familiar, de até no máximo 160 hectares. Estes estabelecimentos ocupam 992.088 mil pessoas, isto é, 81% das pessoas ocupadas no campo. Este é o primeiro indicador que salta à vista no último censo agropecuário: a agricultura familiar é quem garante o maior número de emprego no campo. E a produtividade também é maior. Enquanto as grandes propriedades têm como produtividade por hectare R$ 547/ha/ano, na agricultura familiar é de R$ 1.462/ha/ano. A familiar é 67% mais produtiva. E é esta a agricultura, aliás, que garante 70% do abastecimento de alimentaçao para as cidades, como de resto ocorre no Brasil. Por isso tudo os grandes latifundiários e a Farsul nao quer rever os índices de produtividade para ver qual fazenda é produtiva ou não.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Campanha eleitoral no RS
Informações do Jornal da Band
Tarso Genro, do PT, lidera a corrida pelo governo do Rio Grande do Sul, de acordo com uma pesquisa da Vox Populi. Ele foi o preferido por 34% dos eleitores ouvidos, seguido por José Fogaça, do PMDB, com 31% das intenções de voto.
A atual governadora Yeda Crusius, do PSDB, é a escolha de 7% dos entrevistados. Beto Albuquerque, do PSB, e Pedro Ruas, do PSOL, têm 2% das intenções.
Num segundo cenário, sem Beto Albuquerque, a situação ficaria assim: Tarso Genro em primeiro com 34%, e José Fogaça em segundo com 30%. Yeda Crusius teria 7% do eleitorado e por Pedro Ruas 3%.
Até aqui só reproduzi o que diz o jornal. Agora vai: o PSOL luta para construir um pólo alternativo para abrir uma real perspectiva de renovação e de um poder de novo tipo. Como somos gente de luta e de disputa, nao apenas comentadores, vale lembrar que Rigotto começou com 3%. E Chavez, em 1999, começou sua campanha eleitoral vitoriosa também com 3%. Estou longe da idéia de fazer previsão neste terreno porque as previsões em política devem ser instrumentais. E nosso instrumento agora é a disputa. O que quero ressaltar é que já somos um pólo, ainda começando, dando nossos primeiros passos. Mas estamos decididos a disputar nas urnas e nas ruas. Para disputar influência junto ao povo e contribuir para que o povo conquiste consciência em suas próprias forças e em suas lutas e organização independente. E nao deixo de lembrar que Fogaça e Tarso são do PMDB e do PT, ambos partidos coligados no governo federal. Governo que mantém o assalto aos cofres do Rio Grande via o acordo desastroso e nao revisto sobre a dívida estadual. Enfim, aí está o PSOL, presente e na luta.
Tarso Genro, do PT, lidera a corrida pelo governo do Rio Grande do Sul, de acordo com uma pesquisa da Vox Populi. Ele foi o preferido por 34% dos eleitores ouvidos, seguido por José Fogaça, do PMDB, com 31% das intenções de voto.
A atual governadora Yeda Crusius, do PSDB, é a escolha de 7% dos entrevistados. Beto Albuquerque, do PSB, e Pedro Ruas, do PSOL, têm 2% das intenções.
Num segundo cenário, sem Beto Albuquerque, a situação ficaria assim: Tarso Genro em primeiro com 34%, e José Fogaça em segundo com 30%. Yeda Crusius teria 7% do eleitorado e por Pedro Ruas 3%.
Até aqui só reproduzi o que diz o jornal. Agora vai: o PSOL luta para construir um pólo alternativo para abrir uma real perspectiva de renovação e de um poder de novo tipo. Como somos gente de luta e de disputa, nao apenas comentadores, vale lembrar que Rigotto começou com 3%. E Chavez, em 1999, começou sua campanha eleitoral vitoriosa também com 3%. Estou longe da idéia de fazer previsão neste terreno porque as previsões em política devem ser instrumentais. E nosso instrumento agora é a disputa. O que quero ressaltar é que já somos um pólo, ainda começando, dando nossos primeiros passos. Mas estamos decididos a disputar nas urnas e nas ruas. Para disputar influência junto ao povo e contribuir para que o povo conquiste consciência em suas próprias forças e em suas lutas e organização independente. E nao deixo de lembrar que Fogaça e Tarso são do PMDB e do PT, ambos partidos coligados no governo federal. Governo que mantém o assalto aos cofres do Rio Grande via o acordo desastroso e nao revisto sobre a dívida estadual. Enfim, aí está o PSOL, presente e na luta.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Justiça fiscal e seguridade social em debate no FSM

Crédito:Letícia Heinzelmann
Ontem, terça-feira, 26, dentro da programação do Fórum Social Mundial 10 Anos, ocorreu a oficina ‘Justiçafiscal e seguridade social’, promovida pela Delegacia Sindical em Porto Alegre do Sindifisco – Sindicato Nacional dos Auditores-fiscais da Receita Federal do Brasil. O presidente da entidade, Vilson Romero, abriu a atividade dizendo que seu objetivo era “debater democraticamente, dentro do espírito do Fórum Social
A deputada federal Luciana Genro participou da primeira rodada de debates, aberta pelo mediador Batista Filho com a pergunta “O que mudou na carga tributária do Brasil em 10 anos?”. Luiz Antonio Bins abriu a discussão apontando que temos uma carga tributária alta em relação à contrapartida em serviços públicos. “É uma discrepância”, criticou. Sérgio Diniz concordou, lembrando que tributos são uma forma do cidadão participar da construção dos serviços na sociedade, mas que o sistema só é justo “quando diferentes são taxados de formas diferentes, e nosso sistema penaliza os mais pobres, que nem sabem quanto e quando são taxados”. Para ele, se é o cidadão, pessoa física, quem paga a grande parte dos importos, é ele quem deve dizer onde os recursos serão aplicados.
Luciana também falou sobre a injusta taxação sobre as classes baixas e médias e criticou que seu projeto que taxa grandes fortunas de forma especial não tenha sido aprovado no Congresso. “Aqueles que financiam os governos continuam sem receber a contrapartida de seus impostos, enquanto que as grandes empresas, que arrecadam muito e têm capacidade de pagar mais, não são taxadas devidamente.” João Antonio Marins, ao encerrar esse tema, fez questão de saudar a deputada, a quem chamou de “batalhadora da área tributária”, e elogiou sua participação na comissão que trata do assunto na Câmara. Para ele, nada mudou nos últimos 10 anos: “Em 2001, a carga tributária brasileira já havia subido 27% em relação a 1996, e hoje ela representa 33% do Produto Interno Bruto. Os governos só pensam em financiar sua políticas públicas às custas do próprio povo.”
Fonte: lucianagenro.com.br
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
'Na marcha do Forum tem...
Uma questão que ficou relevante, mostrando um contraponto aos aparatos burocráticos:a simpatia e o apoio com que Luciana Genro, a deputada federal do PSOL gaúcho, foi recebida ao longo da caminhada.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Fórum Social Mundial: reflexões depois da marcha de abertura
O Fórum sempre é um ponto de encontro para aqueles que defendem um outro mundo. Mas, e neste caso o mas tem força, esta décima edição nao pode ser encarada como uma continuidade das primeiras. Menos impacto na cidade e no Rio Grande, menos conexão com as lutas pelo mundo afora e, sobretudo, menos entusiasmo. O primeiro fórum foi aqui, a inauguração de uma vanguarda multudinária que atuava na esteira das mobilizações de Seatle. Estávamos em 2001.
O neoliberalismo ainda tinha hegêmonia mundial mas sua contestação encontrou um Porto Alegre um ponto de encontro com uma radicalidade e diversidade que enchiam de esperanças as forças socialistas e internacionalistas. Foram 20 mil pessoas protestando. Neste ano, em dezembro, centenas de milhares derrotaram nas ruas de Buenos Aires o governo neoliberal de De La Rua. Eram novos tempos. A ofensiva do neoliberalismo esta dando lugar na América Latina para uma situaçao de maior protagonismo do movimento de massas, uma situaçao de equilíbrio na luta entre as classes. Em janeiro de 2002 o fórum teve 50 mil pessoas. Em 2003, novamente em Porto Alegre, foram 100 mil.
No fórum de 2003 tivemos dois pontos altos. A manifestaçao de Lula reuniu dezenas de milhares, emocionou e prometeu mudanças logo depois de uma vitória histórica contra Fernando Henrique. Para muitos estava iniciando o novo mundo. Mas Lula saiu de Porto Alegre e foi para Davos. O neoliberalismo no Brasil agora estava tendo uma continuidade com mudanças, ou mudanças para que tudo continuasse como sempre: o Brasil agora teria um governo social liberal. Esta era a nossa posiçao. No mesmo fórum, eu estava com Luciana Genro e nossa corrente, o MES, organizando a vinda de Hugo Chavez para Porto Alegre. Os organizadores oficiais do Fórum nao queriam Chavez. Era uma presença de enfrentamento claro contra o império. É incrível que Chavez tenha tido a coragem de bancar sua vinda num ato organizado por um grupo de esquerda em claro enfrentamento com a posição majoritária para a qual o novo governo brasileiro estava rumando. Chavez veio num ato organizado por nós que superlotou o auditório da Assembléia. Foi um impacto.
Bem, náo vou seguir. É da história que em 2005 tivemos novamente o forum em POA, desta vez com as bandeiras do PSOL. Novamente Chavez vez a diferença e o gigantinho lotado foi incrível. Agora, bem, agora o Fórum está menos animado. O aparato petista e cutista, além da Força Sindical, tem muito carro de som e pouca gente e ainda menos entusiamo. A descentralização e a realizaçao de dois fóruns quase simultaneos no Brasil divide uma vanguarda de esquerda que ainda é pequena depois da brutal traição do governo Lula. De qualquer forma o caminho aberto em 2001 ainda segue aberto. As mobilizações de Copenhague mostram isso. A resistência social na América Latina também. No Brasil, embora o aparato oficial tente transformar o espírito de mudança no conservadorismo da reprodução do status quo, há avanços da consciência social crítica que estão longe de terem sido perdidos. Esta, aliás, é a base e as possibilidades do PSOL. Até.
O neoliberalismo ainda tinha hegêmonia mundial mas sua contestação encontrou um Porto Alegre um ponto de encontro com uma radicalidade e diversidade que enchiam de esperanças as forças socialistas e internacionalistas. Foram 20 mil pessoas protestando. Neste ano, em dezembro, centenas de milhares derrotaram nas ruas de Buenos Aires o governo neoliberal de De La Rua. Eram novos tempos. A ofensiva do neoliberalismo esta dando lugar na América Latina para uma situaçao de maior protagonismo do movimento de massas, uma situaçao de equilíbrio na luta entre as classes. Em janeiro de 2002 o fórum teve 50 mil pessoas. Em 2003, novamente em Porto Alegre, foram 100 mil.
No fórum de 2003 tivemos dois pontos altos. A manifestaçao de Lula reuniu dezenas de milhares, emocionou e prometeu mudanças logo depois de uma vitória histórica contra Fernando Henrique. Para muitos estava iniciando o novo mundo. Mas Lula saiu de Porto Alegre e foi para Davos. O neoliberalismo no Brasil agora estava tendo uma continuidade com mudanças, ou mudanças para que tudo continuasse como sempre: o Brasil agora teria um governo social liberal. Esta era a nossa posiçao. No mesmo fórum, eu estava com Luciana Genro e nossa corrente, o MES, organizando a vinda de Hugo Chavez para Porto Alegre. Os organizadores oficiais do Fórum nao queriam Chavez. Era uma presença de enfrentamento claro contra o império. É incrível que Chavez tenha tido a coragem de bancar sua vinda num ato organizado por um grupo de esquerda em claro enfrentamento com a posição majoritária para a qual o novo governo brasileiro estava rumando. Chavez veio num ato organizado por nós que superlotou o auditório da Assembléia. Foi um impacto.
Bem, náo vou seguir. É da história que em 2005 tivemos novamente o forum em POA, desta vez com as bandeiras do PSOL. Novamente Chavez vez a diferença e o gigantinho lotado foi incrível. Agora, bem, agora o Fórum está menos animado. O aparato petista e cutista, além da Força Sindical, tem muito carro de som e pouca gente e ainda menos entusiamo. A descentralização e a realizaçao de dois fóruns quase simultaneos no Brasil divide uma vanguarda de esquerda que ainda é pequena depois da brutal traição do governo Lula. De qualquer forma o caminho aberto em 2001 ainda segue aberto. As mobilizações de Copenhague mostram isso. A resistência social na América Latina também. No Brasil, embora o aparato oficial tente transformar o espírito de mudança no conservadorismo da reprodução do status quo, há avanços da consciência social crítica que estão longe de terem sido perdidos. Esta, aliás, é a base e as possibilidades do PSOL. Até.
PSOL no FSM 2010
Nossas atividades no Fórum Social Mundial
25/01, segunda-feira
Marcha de Abertura: Concentração às 16h, saída às 17h da Prefeitura de POA e caminhada até o Anfi-teatro Por-do-Sol.
26/01, terça-feira
9 horas - Tribuna Popular- Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais
CPERS-Sindicato, 9º andar.
Debatedores: Neiva Lazzarotto (CPERS), Fernanda Melchionna (Vereadora/PSOL), Gilmar Mauro (MST), Âgela Almeida (Tribuna Popular), João Batista Fonseca (MTL), Vinícuis Almeida (Levante Nacional).
14 horas - Oficina Mulheres e Sexualidade
Acampamento da Juventude Espaço ELA em Novo Hamburgo.
16 horas- Mulher, Trabalho e Socialismo
Vereadora Fernanda Melchionna
Professora Edla Eggert Pesquisadora da Unisinos
27/01, quarta-feira
15 horas - Luta Ambiental e Desafios Anticapitalistas Após a Conferência de Copenhague
CPERS-Sindicato, 9º andar.
Apresentação Pedro ruas (ver. PSOL/POA)
Com Fernanda Melchionna (ver. PSOL/POA), João Alfredo (ver. PSOL/Fortaleza) e Paulo Brak (prpf. UFRGS).
28/01, quinta-feira
17 horas – Ato contra o aumento das passagens
Esquina Democrática
29/01, sexta-feira
18 horas - Debate Sobre Estratégia no Socialista no Século XXI
Na sede do MES. av. João Pessoa, nº 911.
Com Israel Dutra (Sociólogo e militante do PSOL) Roberto Robaina (pres. PSOL/RS e Executica Nacional), Luciana Genro (Dep. Federal PSOL/RS).
25/01, segunda-feira
Marcha de Abertura: Concentração às 16h, saída às 17h da Prefeitura de POA e caminhada até o Anfi-teatro Por-do-Sol.
26/01, terça-feira
9 horas - Tribuna Popular- Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais
CPERS-Sindicato, 9º andar.
Debatedores: Neiva Lazzarotto (CPERS), Fernanda Melchionna (Vereadora/PSOL), Gilmar Mauro (MST), Âgela Almeida (Tribuna Popular), João Batista Fonseca (MTL), Vinícuis Almeida (Levante Nacional).
14 horas - Oficina Mulheres e Sexualidade
Acampamento da Juventude Espaço ELA em Novo Hamburgo.
16 horas- Mulher, Trabalho e Socialismo
Vereadora Fernanda Melchionna
Professora Edla Eggert Pesquisadora da Unisinos
27/01, quarta-feira
15 horas - Luta Ambiental e Desafios Anticapitalistas Após a Conferência de Copenhague
CPERS-Sindicato, 9º andar.
Apresentação Pedro ruas (ver. PSOL/POA)
Com Fernanda Melchionna (ver. PSOL/POA), João Alfredo (ver. PSOL/Fortaleza) e Paulo Brak (prpf. UFRGS).
28/01, quinta-feira
17 horas – Ato contra o aumento das passagens
Esquina Democrática
29/01, sexta-feira
18 horas - Debate Sobre Estratégia no Socialista no Século XXI
Na sede do MES. av. João Pessoa, nº 911.
Com Israel Dutra (Sociólogo e militante do PSOL) Roberto Robaina (pres. PSOL/RS e Executica Nacional), Luciana Genro (Dep. Federal PSOL/RS).
domingo, 24 de janeiro de 2010
Repressão em Honduras
Recebi do nosso camarada Rodolfo Mohr, liderança gaúcha do movimento estudantil, a entrevista que foi dada pelo Gilberto Rios, dirigente de uma organização juvenil de Honduras. Gilberto esteve no Congresso do PSOL e relata nesta entrevista a repressão que está ocorrendo em seu país. Vale lembrar: o golpe de Honduras não acabou. POr isso reproduzo a entrevista. Peço desculpa porque vai em espanhol mesmo.
Opera Mundi conversó con Gilberto Ríos, Secretario de Formación Política de Los Necios, organización ligada al FNRP (Frente Nacional de Resistencia Popular), quien tuvo que abandonar su país por temor a su vida y pidió omitir su ubicación por razones de seguridad.
- Diferentes organizaciones de derechos humanos han denunciado que varias personas tuvieron que abandonar el país por la represión. ¿Es cierto eso?
- Como parte del golpe, son muchos los dirigentes de todos los niveles de la Resistencia que, a raíz de las amenazas y las intimidaciones, tuvieron que tomar fuertes medidas de seguirdad en las propias ciudades donde viven, aunque ya tenemos conocimiento de por lo menos cuarenta miembros activos que tuvieron que dejar Honduras porque su vida estaba en peligro.
- ¿Qué tipo de represión existe en este momento?
- Hay una gama que comprende amenazas a través de llamadas telefónica, secuestro, golpes y tortura, y hasta el asesinato. Con respecto a los años 80, cuándo vivimos una temporada de terror como parte de la doctrina de la Seguridad Nacional, apoyada por el entonces embajador norteamericano John Dimitri Negroponte, ahora los órganos represivos ligados al Estado no atacan sobre todo a los dirigentes más importantes, sino a miembros de la base y a los cuadros intermedios de la Resistencia.
Una verdadera represión selectiva con el objetivo de crear terror entre la población.
- ¿Qué tipo de ayuda reciben los exiliados?
- La Resistencia no tiene la capacidad para apoyar a todas estas personas. No obstante, los movimientos sociales y las organizaciones solidarias con la lucha de la Resistencia en el exterior les están dando su apoyo en esta difícil situación.
- ¿Cuál es la importancia internacional de la resistencia?
- Hicimos un trabajo muy fuerte para configurar un frente internacional de resistencia, cuyos objetivos son romper el cerco mediático, informar sobre lo que ocurre en el país, manifestarse a favor de otras causas y luchas de los pueblos a nivel mundial y también encontrar los mecanismos para ayudar a la población que necesita abandonar el país.
- Se habla poco sobre los derechos humanos en Honduras. ¿Qué otros mecanismos de información existen?
- Por lo general los grandes medios están controlados por corporaciones y en el caso de Honduras, el 98 por ciento está en manos de tres familias. No obstante, hay que reconocer el gran trabajo que hacen las redes de información alternativa. Hemos aprendido a romper este cerco y es importante que cada persona que entre en resistencia, en Honduras o en el exterior, asuma este papel de multiplicar y retransmitir las informaciones a nivel mundial.
entrevista de Giorgio Trucchi
Opera Mundi
Opera Mundi conversó con Gilberto Ríos, Secretario de Formación Política de Los Necios, organización ligada al FNRP (Frente Nacional de Resistencia Popular), quien tuvo que abandonar su país por temor a su vida y pidió omitir su ubicación por razones de seguridad.
- Diferentes organizaciones de derechos humanos han denunciado que varias personas tuvieron que abandonar el país por la represión. ¿Es cierto eso?
- Como parte del golpe, son muchos los dirigentes de todos los niveles de la Resistencia que, a raíz de las amenazas y las intimidaciones, tuvieron que tomar fuertes medidas de seguirdad en las propias ciudades donde viven, aunque ya tenemos conocimiento de por lo menos cuarenta miembros activos que tuvieron que dejar Honduras porque su vida estaba en peligro.
- ¿Qué tipo de represión existe en este momento?
- Hay una gama que comprende amenazas a través de llamadas telefónica, secuestro, golpes y tortura, y hasta el asesinato. Con respecto a los años 80, cuándo vivimos una temporada de terror como parte de la doctrina de la Seguridad Nacional, apoyada por el entonces embajador norteamericano John Dimitri Negroponte, ahora los órganos represivos ligados al Estado no atacan sobre todo a los dirigentes más importantes, sino a miembros de la base y a los cuadros intermedios de la Resistencia.
Una verdadera represión selectiva con el objetivo de crear terror entre la población.
- ¿Qué tipo de ayuda reciben los exiliados?
- La Resistencia no tiene la capacidad para apoyar a todas estas personas. No obstante, los movimientos sociales y las organizaciones solidarias con la lucha de la Resistencia en el exterior les están dando su apoyo en esta difícil situación.
- ¿Cuál es la importancia internacional de la resistencia?
- Hicimos un trabajo muy fuerte para configurar un frente internacional de resistencia, cuyos objetivos son romper el cerco mediático, informar sobre lo que ocurre en el país, manifestarse a favor de otras causas y luchas de los pueblos a nivel mundial y también encontrar los mecanismos para ayudar a la población que necesita abandonar el país.
- Se habla poco sobre los derechos humanos en Honduras. ¿Qué otros mecanismos de información existen?
- Por lo general los grandes medios están controlados por corporaciones y en el caso de Honduras, el 98 por ciento está en manos de tres familias. No obstante, hay que reconocer el gran trabajo que hacen las redes de información alternativa. Hemos aprendido a romper este cerco y es importante que cada persona que entre en resistencia, en Honduras o en el exterior, asuma este papel de multiplicar y retransmitir las informaciones a nivel mundial.
entrevista de Giorgio Trucchi
Opera Mundi
sábado, 23 de janeiro de 2010
Martiniano
A pré candidatura de Martiniano a presidente da República foi lançada por Heloisa Helena netse dia 21 de janeiro, num texto curto subscrito também por Luciana Genro e mais dez presidentes regionais do PSOL, entre os quais quem escreve esta nota. Martiniano é um quadro de alta qualidade e quem melhor pode expressar as ideais do PSOL. Por isso Heloisa, que disputará a vaga ao senado em Alagoas, quer muito que Martiniano vença a escolha que os militantes do PSOL farão entre três nomes que foram lançados. Nossa bandeira, um novo partido contra a velha política, surpreenderá nos debates com este representante, fundador do partido, Presidente da Fundaçao Lauro Campos e militante socialista de mais de 30 anos de dedicação às causas populares.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Resolução da executiva nacional do PSOL decide não continuar as negociações com o PV
A executiva nacional do PSOl resolveu agora, em Brasília, considerar como encerrada as negociações com o PV. Os motivos foram os que sustentamos em carta subscrita por mim, pela Luciana Genro e pelo Martiniano Cavalcanti. O estopim para encerrar as possibilidades do apoio ao nome de Marina para a disputa presidencial foi a decisão do PV de coligar com o PSDB e o DEM no Rio de Janeiro. Tal decisão, além de ter graves implicações para a disputa no Rio de Janeiro, um dos principais estados do país, onde o PV será utilizado para o crescimento da candidatura de Serra num eventual segundo turno, sinaliza uma política nacional do PV. Quando insistimos na possibilidade apoiar Marina o fizemos na tentativa de ter uma candidatura com densidade eleitoral capaz de ser um contraponto à polarização conservado do PT e do PSDB. Com Heloisa saindo de candidata ao senado em Alagoas, e depois da ruptura de Marina com o PT, a senadora se converteu nesta chance. Mas sua política nao tem sido esta. De fato não conseguimos efetivar este deslocamento de Marina na direção de uma política independente. Por isso as negociações nao prosperaram. Agora o PSOL fará a escolha do seu nome para representar o partido no pleito nacional.
Heloísa Helena no Gaúcha Atualidade
Ontem pela manhã a nossa presidente do PSOL , Heloísa Helena, deu entrevista ao programa Atualidade da rádio gaúcha, falando sobre a reunião da executiva nacional que acontece amanhã em Brasília e deve definir se o PSOL vai apoiar Marina Silva ou terá candidatura própria. Confira a entrevista no link:
http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=96327&channel=232
http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=96327&channel=232
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
A invasão do Alegrete
Falando em Uruguaiana vale a pena assistir "A invasão do Alegrete", um curta gaúcho de primeira, daquelas comédias que a gente realmente ri, aquele riso solto que bons atores, um roteiro bem feito e uma direção competente provocam. É para quem gosta da história do Rio Grande é melhor ainda. Não vou contar o filme, mas se trata, é óbvio, da invasão do Alegrete. Ou melhor, a ameaça de invasão, feita de um telefonema de um "orelhão"para o Doutor Sérgio. O doutor Sérgio, aliás, me lembrou o Dom Quixote. Seu acompanhante com certeza foi inspirado também no Sancho Pança. Bem, assistam o curta. A direção é do Diego Müller
Roteirista:Davi Pires e Diego Müller
Pablo Müller
Atores:
Miguel Ramos
Atores Coadjuvantes:
João França, Marcos Barreto, Nelson Diniz, Sirmar Antunes, Artur Pinto, Danny Gris, Marcos Suhre e Felipe de Paula
Atrizes Coadjuvantes:
Nadya Mendes
Diretor de Fotografia:
Juliano Lopes
Diretor de Arte:
Eduardo Antunes
Montagem:
Vicente Moreno
Música:
Pirisca Grecco
Trilha Sonora Original - Compositor:
Pirisca Grecco
Roteirista:Davi Pires e Diego Müller
Pablo Müller
Atores:
Miguel Ramos
Atores Coadjuvantes:
João França, Marcos Barreto, Nelson Diniz, Sirmar Antunes, Artur Pinto, Danny Gris, Marcos Suhre e Felipe de Paula
Atrizes Coadjuvantes:
Nadya Mendes
Diretor de Fotografia:
Juliano Lopes
Diretor de Arte:
Eduardo Antunes
Montagem:
Vicente Moreno
Música:
Pirisca Grecco
Trilha Sonora Original - Compositor:
Pirisca Grecco
Uruguaiana gosta de política
Helder Porto, militante nosso de Pelotas, do PSOL, formado em sociologia e recém chegado em Uruguaiana, me escreveu feliz com seus primeiros contatos com a cidade. Na semana passada o PSOL reuniu 15 pessoas entre eles estudantes secundaristas, um municipário que está organizando uma chapa pra disputar o sindicato, e dois ex candidatos a vereadores pelo PT muito bem votados – um deles não entrou por empate e perdeu na idade. Ele já chegou impulsionado o partido e armando esta reunião junto com o Luciano, a Roberto e o Paulinho. A reunião foi noticiada pela mídia local.
O que mais deixou otimista ao Helder é que as pessoas na cidade gostam muito de política. Discutem, querem se informar e se formar. E nosso bravo Paulinho, que foi nosso candidato a Prefeito em 2008 tem chances reais de ser um militante político de referência para os setores do povo que querem uma nova política. Trata-se de um camarada popular e que teve uma campanha que marcou na cidade, por sua simplicidade, inteligência e ousadia. O Paulinho 50!Como disse o Helder, em Uruguaiana os partidos fazem política apenas na época das eleições, abrindo vagas e disputas para candidatos. O PSOL é diferente. jä estamos com uma chapa montada pra disputa a associação de skate da cidade com o Luciano encabeçando. Esta organização é extremamente reconhecida pela juventude da cidade, tem muito apelo entre os jovens, pois é a única organização juvenil que há na cidade. Organizam grandes campeonatos, a idéia da nossa chapa é fazer dela também um instrumento político da juventude, além de atividades culturais. Certamente, os próximos passos vão se articular com a necessidade da formação política e a realização de cursos. E lógico que também teremos nossos candidatos, se possível também da região, para disputar as eleições porque não ser eleitoralista nao significa ser bobo e deixar o espaço para a burguesia fazer política e iludir o povo com suas falsas promessas.
O que mais deixou otimista ao Helder é que as pessoas na cidade gostam muito de política. Discutem, querem se informar e se formar. E nosso bravo Paulinho, que foi nosso candidato a Prefeito em 2008 tem chances reais de ser um militante político de referência para os setores do povo que querem uma nova política. Trata-se de um camarada popular e que teve uma campanha que marcou na cidade, por sua simplicidade, inteligência e ousadia. O Paulinho 50!Como disse o Helder, em Uruguaiana os partidos fazem política apenas na época das eleições, abrindo vagas e disputas para candidatos. O PSOL é diferente. jä estamos com uma chapa montada pra disputa a associação de skate da cidade com o Luciano encabeçando. Esta organização é extremamente reconhecida pela juventude da cidade, tem muito apelo entre os jovens, pois é a única organização juvenil que há na cidade. Organizam grandes campeonatos, a idéia da nossa chapa é fazer dela também um instrumento político da juventude, além de atividades culturais. Certamente, os próximos passos vão se articular com a necessidade da formação política e a realização de cursos. E lógico que também teremos nossos candidatos, se possível também da região, para disputar as eleições porque não ser eleitoralista nao significa ser bobo e deixar o espaço para a burguesia fazer política e iludir o povo com suas falsas promessas.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Máfia ao vivo...
Acho que era 2004, ou 2005. Me lembro bem da cena. Estava com a Luciana Genro, o Martiniano, o Enrique Morales . Os três com a Heloísa Helena no café dos senadores, na antesala do plenário. De repende parece que até o ar se alterou, se tornou pesado. Estava passando José Sarney, Antônio Carlos Magalhaes, em passos lentos, seguidos por seus seguranças e seus políticos. Foi a mais nítida sensação que tive até hoje da presença ao vivo e a cores dos chefes da máfia. Uma sensação bem clara.
Bem, todos sabem que em 2009 o PSOL impulsionou a campanha do Fora Sarney. Ficou claro para o país as falcatruas envolvendo o presidente do Senado, os atos secretos, as mansões compradas com dinheiro público, para nao falar do envolvimento com banqueiros e empreiterias que marcam a oligarquia Sarney. Protegido por Lula, Sarney continua. De qualquer forma, seguimos a luta. Não desistimos, assim como nao desistimos na luta contra Yeda nem contra Arruda.
Agora, como hoje noticiou o Estadão, o PSOL vai pedir ao Ministério Público Federal que aprofunde a investigação nas contas da Fundação JOSÉ SARNEY, dando sequência à auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), que confirmou reportagem do Estadão e apontou uma série de fraudes na execução do projeto de R$ 1,3 milhão patrocinado pela Petrobrás. Ainda na notícia do jornal reproduz uma declaração do nosso deputado psolista do RJ, o camarada Chico Alencar (RJ), segundo o qual essa a única saída para identificar e punir os responsáveis pelo desvio de dinheiro público repassado à fundação, criada para "preservar" a memória do presidente do Senado, JOSÉ SARNEY (PMDB-AP).
A CGU apontou desde existência de notas fiscais frias, com endereços falsos, a contratação de empresas cujos sócios são funcionários da fundação, enfim, falcatruas várias.
Bem, todos sabem que em 2009 o PSOL impulsionou a campanha do Fora Sarney. Ficou claro para o país as falcatruas envolvendo o presidente do Senado, os atos secretos, as mansões compradas com dinheiro público, para nao falar do envolvimento com banqueiros e empreiterias que marcam a oligarquia Sarney. Protegido por Lula, Sarney continua. De qualquer forma, seguimos a luta. Não desistimos, assim como nao desistimos na luta contra Yeda nem contra Arruda.
Agora, como hoje noticiou o Estadão, o PSOL vai pedir ao Ministério Público Federal que aprofunde a investigação nas contas da Fundação JOSÉ SARNEY, dando sequência à auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), que confirmou reportagem do Estadão e apontou uma série de fraudes na execução do projeto de R$ 1,3 milhão patrocinado pela Petrobrás. Ainda na notícia do jornal reproduz uma declaração do nosso deputado psolista do RJ, o camarada Chico Alencar (RJ), segundo o qual essa a única saída para identificar e punir os responsáveis pelo desvio de dinheiro público repassado à fundação, criada para "preservar" a memória do presidente do Senado, JOSÉ SARNEY (PMDB-AP).
A CGU apontou desde existência de notas fiscais frias, com endereços falsos, a contratação de empresas cujos sócios são funcionários da fundação, enfim, falcatruas várias.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Imaginem Tarantino...
Imaginem Tarantino com o recursos para fazer seus filmes em 3D. Depois que assisti Avatar me lembrei do último filme de Tarantino, "Bastardos Inglórios" com Brad Pitt, Christoph Waltz, Mélanie Laurent, Diane Kruger. Também o assisti no cinema, mas sem 3D. Quem conhece Tarantino sabe que sua cenas de violência são sempre impressionantes. Nos bastardos o protagonista Aldo, personagem interpretado pelo ator Brad Pitt comanda 8 soldados judeus americanos que foram convocados a França ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra. Os soldados são uns personagens, no estilo heróis enlouquecidos na ação, destemidos e implacáveis para vingar as vítimas do nazismo. Os nazistas capturados por eles nao tinham vez: eram escalpelados. Bem, nao vou contar o filme, mas embora muitos o classifiquem como comédia - e nao deixa de ser - o filme mistura o riso com a tensão, a história com a fantasia e tem um final que todos nós, defensores das liberdades e antiracistas, gostaríamos que tivesse. Quem puder assistir...
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